22.8.06

As minhas meias


A guerra no Iraque, os ataques do PCC e a ideologia da Veja são exemplos de coisas que sempre julgamos, mas nunca sabemos mesmo se está certo ou errado. Acredito que há erros e acertos nesses casos citados, afinal estamos “de fora” (no sentido de proximidade – somos brasileiros, portanto longe do Iraque e dos EUA; moramos no interior da Bahia, longe dos ataques acontecidos em SP, e nunca estivemos presos, ou seja, longe de conhecer o sistema carcerário brasileiro; e, ainda não somos jornalistas, e muito menos incluídos no mercado para apontarmos qual revista ou jornal está agindo corretamente ou não, ou ao menos, se existe isso). Estamos de fora mesmo!

Mas, hoje em dia é assim: sentimos a obrigação de estar criticando a tudo e a todos, comentando fatos ou acontecimentos e passando a diante as informações consumidas, que muitas vezes não digerimos para engolir. Em tudo queremos encontrar o certo ou o errado, mas pra mim isso já não existe, acho que há o que é “meu certo” e o que é meu erro. O que pra mim é certo pode também ser o errado, mas errado pra outra pessoa (certo pra mim, errado pra você, ora!), então esse é meu erro, não conseguir ver! Por exemplo, em uma calorosa discussão, por mais que eu saiba que não pertence a mim a verdade, não consigo enxergar que os outros também são certos. É esse o meu único erro: eu estar errado!

Acabo sendo o que eu penso, quando estou errado é por que estou dançando conforme a música dos meus pensamentos e das minhas idéias, mas não vejo que estou errado, só sou assim para os outros. Para mim, estou sendo certo. E o mesmo acontece com quem criticamos, a Veja, os EUA e o PCC dançam conforme a música de suas idéias e não devemos puni-los por isso, afinal também agimos assim, só que nossa música é outra, há diferenças, às quais dizemos respeitar. Enquanto uns dançam funk, outros dançam balé, e não há nenhum problema nisso, mas pra quem dança funk, balé é ridículo, e para quem dança balé, o funk é muito pior. Afinal, a que ponto pretendo chegar? A uma conclusão. Espero te convencer que há meias verdades e nenhuma mentira, meias coisas certas e que não há erro, só há discos diferentes rodando em cada vitrola.

Da mesma forma é definir o que é política, o que é o amor e o que é Deus. São outras coisas (lógico!) as quais nunca sabemos ao certo o que são, pois não conseguimos encontrar um único conceito que nos satisfaça e, quando encontramos, não nos contentamos, ou não acreditamos que seja somente aquilo. Mas, no fundo, há para cada um o seu entendimento do que é política, do que é o amor e do que é Deus. E só cada um conhece os seus conceitos, mesmo sem entendê-los.

E se tudo o que penso é o que vejo e o que faço, as minhas idéias são minhas formas de ver o mundo, só que o vejo pela metade, porque há dois lados: eu e você, como as tuas verdades pertencem somente a ti, só enxergo metade da verdade, a que pertence a mim, lógico. Então, acredito nisso: há meias verdades, meias idéias, meias coisas certas, e o todo jamais será conhecido, por mais que tentamos nos impor.

Estas coisas por mais que pareçam sem lógica, são todas as nossas coisas, as nossas contradições. Veja um exemplo, a chamada elite intelectual, contra à quase tudo, é assim chamada porque busca entender a tudo e a todos, e por isso, sente se digna de criticar a tudo e a todos, mas para que elas fazem isso? Só pode ser para garantir poder, se não todo o poder, e não há outra explicação (a não ser a sua), apesar de muitos deles ter posicionamento contrário à centralização do poder. Pronto, entendeu? Contradição pura, não?

E eu, também, na minha humilde posição de possuir apenas meias verdades e meias idéias, sou uma pessoa contraditória. Prova disso é que às vezes, quando as outras estão sujas, calço as minhas meias que têm uma bandeira dos EUA, mas juro, não passa de um simples par de meias, que apesar de um par, não conseguem ser um todo (até as meias são contraditórias!).

Para Andressa, Fernanda e Mirna.

5 comentários:

Dê! Dê! disse...

Chuuuuuuuuuuuuuuu!
Caraca!
Gostei muitooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!
Ontem de manha a gente tava no impresso justamente discutindo sobre os conceitos que criamos acerca das coisas, como exemplo o amor...
E falamos exatamente sobre nós dois termos conceitos diferentes, mas esse texto foi muito mais longe e acabou se referindo a brigas que tenho comigo mesma em vários dias da minha vida!
Pq exatamente a gente busca explicação pra tudo? Por que nos sentimos mais burros se estamos por fora do que acontece no mundo? Não seria bom ficar pelo menos um poquinho longe de tudo isso que a gente assiste e se sente indignado (ou não) e não faz nada? Por que pra tudo na vida tem que ter um porquê e uma resposta inteligente que mantenha nossa mania de rotular e de sermos superiores na vida?
Concordo de cara com as meias verdades. E sei que estamos fadados a viver com as meias de todos que passarem por nossas vidas.
Enquanto isso, vamos vivendo numa constante busca como se a verdade absoluta estivesse prestes a bater na nossa porta, mas enquanto ela não bate vou continuar andando de meias no chão, sem chinelo...ah! E preferindo as coloridas da fotinha, não a dos EUA uhauahuahauh.

Adorei a dedicatóriaaaaaaaaaaaaaa!
Gosto demais de ti e das suas meias verdades, mas carinho inteiro e sorriso mais inteiro ainda =D

Bjo chuuuuu

mirna disse...

o comentário de andressa foi tão perfeito que me intimidou a escrever alguma coisa!







...mas como eu nao consigo, vou me epressar no mais humilde e singelo comentário:muito bom o texto, muito legal a análise das análises feitas por quem está de fora(preconceituosas na maioria das vezes). vivemos dizendo qeu "se fosse eu, faria assim" mas a verdade é q, se fosse eu, na hora de agir, pra valer, talvez eu agisse igual àquele q tanto critiquei. no caso dos presos, é muito cômodo dizer q é errado fazer rebelião, fazer inocentes de reféns, colocar fogo nos colchões etc e não analisar tudo q está por atrás dessas atitudes "monstruosas". acredito que nós que temos a oportunidade de desenvolvimento intelectual(privilegiados por estar numa universidade pública) temos obrigação de aprender a enxergar e a considerar as condições q levam outras pessoas a pensarem diferente de nós,principalmente as que taxamos como de pensamentos e idéias ridículas. o problema é q temos muito discurso e pouca ação. falo de mim tb. sei q eu poderia estar fazendo muito mais por minha fa´mília, por minha universidade, por minha cidade...mas por enquanto me acomodo a só dizer que "quando eu me formar" ou quando eu tiver mais tempo, e outras coisas do tipo, vou fazer isso e aquilo. sonhar é bom, planejar é bom, mas temos q partir p ação! e eu e vc, chu, vamos mesmo fazer muito por nosso curso, inicialmente, se formos eleitos!! uhuhuhu!
e as meias verdades estão em todo canto... como diria o palestrante de ontem "só Deus tem a verdade inteira!" (mas sem piadinhas, tb acredito nisso!) p tudo é preciso uma análise minuciosa das questões culturais, contemporâneas, emocionais, socio-organizacional(rsrs).
ah! e o q mais gostei em todo o texto foi sua saída de dizer q suas meias dos EUA "são só um par de meias, que apesar de ser um par, áinda não são um todo". muito filosófico, mas eu sei muito bem q vc adora a bandeirinha dos EUA, admira Bush...pois, quem é q anda comprando a Veja toda semana,hei?
:) brincadeirinha amigo! lindo texto! parabéns!

Bel disse...

Chuchuuu
rpz...esse texto tá demais viu!
Caramba! Muito bom!!!
Concordo com muita coisa aíí

bom demais messssssmo!!

Adorei essa parte aki: "há meias verdades e nenhuma mentira, meias coisas certas e que não há erro, só há discos diferentes rodando em cada vitrola."

Chu, parabéns pelo texto viu!

um beijo

Anônimo disse...

meias...metade
metade de mim é o que eu penso e a outra é um vulcão...
e o q somos mesmo?somos nós que ora estamos aqui e ora estamos aonde apenas os passos nos indicam.Apesar de termos partidos temos partes é preciso dizer o que quer,se posicionar, mas também é preciso relativizar,conhecer os lados,hum...na verdade é preciso buscar o bem em todas as partes do ser humano!
Porque metade de mim é o amor e a outra metade também...
te amo chu!!!!!

Anônimo disse...

ah o anonimo sou eu chu nanda