19.10.08

A polícia e a mídia


Quem é o culpado pelo desfecho que teve o seqüestro em Santo André? Essa é uma das perguntas que a mídia tem buscado responder. O interessante é que ela nunca aparece nas possíveis respostas.

Podemos recordar do caso do ônibus 174, em que a mídia caiu em cima como urubu cai na carniça. E nos recordamos do desfecho. O caso da garota Eloá Cristina foi apenas mais um desses casos em que os meios de comunicação exploram até o limite.

A exploração do fato é exaustiva não só para as centenas de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que acampam o acontecimento no local, mas, principalmente, para quem reconhece sensacionalismo e terror no conteúdo das coberturas, chamadas de jornalísticas.

Alugam casas em busca do melhor ângulo, fazem interpretações que nem a polícia faz, buscam todos os tipos de soluções, publicam as mais diversas informações sobre as pessoas envolvidas e suas família. E justificam: "estamos fazendo nosso trabalho".
É isso que eu não concordo. Essa liberdade da imprensa que citei no post anterior, legitimada pela ausência de leis regulamentadoras, ultrapassa os limites do bom senso e da ética. Ainda não há entendimento da liberdade dentro da democracia; liberdade não é livre arbítrio, é preciso respeitar as leis, o espaço e a vida do outro.

Quando foi divulgado que um rapaz de 22 anos estava fazendo refém sua ex-namorada, de 15 anos, a mídia começou a armar a barraca. E a polícia, o que fez? Aqui sim, era preciso cercear a liberdade da imprensa para preservar a vida dos envolvidos. Mas, não. Armaram as barracas e o circo.

A polícia permitiu o Lindemberg Fernandes acompanhar tudo que acontecia fora do apartamento. Certamente, o jovem não teria mantido o seqüestro por tanto tempo se não tivesse cobertura de 24h na RecordNews, se a Globo não tivesse se mobilizado tanto como fez e se a polícia tivesse restringido o acesso à área. Ao que parece, não só o garoto estava aproveitando do “jornalismo”, como a polícia também.

O lamentável é que esta não foi a primeira vez em que a polícia e a mídia erraram de uma forma tão absurda que, agora, buscam outros culpados. E, pior, nem será a última.
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3 comentários:

Dedê disse...

Menina de 6 anos atirada do sexto andar, sequestros trágicos... só nos resta esperar pelo próximo "SHOW da vida"...

Joanarlista disse...

Eu naum quero compactuar com isso... Justiça a Eloá.

Ailton Fernandes disse...

A família de Eloá deveria era acionar o Ministério Público contra a imprensa, mas a Record News já tá pagando o advogado dela, então...