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15.8.12

“O jornalismo é um bem social importante demais para ficar nas mãos de jornalistas diplomados”, diz colunista do Estadão

Colunista do Estadão, Lúcia Guimarães divulgou texto afirmando que é contra a exigência do diploma de jornalismo, aprovada pelo Senado na última terça-feira, 7, em Brasília. Para a profissional, “o jornalismo é um bem social e não deve ficar nas mãos de jornalista diplomados”.
De acordo com a colunista, “obrigar o jornalista a ter diploma de  jornalismo é como obrigar um cantor a tomar aula de voz antes de cantar no palco, uma violação da liberdade de expressão”.  Ela ainda ressalta que as escolas de comunicação são de baixo nível e que aprendeu tudo com a prática do dia a dia. “Faltava muito à aula na faculdade porque já trabalhava como repórter. Aprendi o ofício na redação".

“A democracia se faz com jornalismo, ponto. Quando Thomas Jefferson disse que era melhor ter um país sem governo do que um país sem jornais, a inspiração era o civismo, não o corporativismo. O baixo nível da maioria das escolas de comunicação é que erode a democracia porque joga milhares de jovens iletrados na vala comum do subemprego, fabrica profissionais despreparados para contestar o poder e investigar a corrupção num mundo cada vez mais sofisticado e falsificado pelo marketing”, ressaltou.

(Por Priscila Fonseca, do Comunique-se)

26.7.12

Centro Cultural BNB é adiado: "nosso agradecimento aos espíritos-de-porco"

O centro será construído na Praça Sá Barreto
Por Marcelo Lopes* 
A notícia que chega a Vitória da Conquista, entre rumores preocupados e vivas de alguns político-partidários, é da suspensão do processo de implantação do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil no município.

A história na verdade é menos trágica do que pintam os opositores do prefeito Guilherme Menezes. Num momento de campanha municipal, em que se trocam todo tipo de argumento, infelizmente, o fato concreto é este: a implantação do BNB em Conquista foi ADIADA sem data para prevista para retomada. Segundo fontes da própria instituição, a gestão interina do banco listou vinte itens para cortes de gastos imediatos na instituição e entre eles foi incluído o processo de implantação do CCBNB. A vinda do Centro continua na pauta do Banco, mas já não faz parte das prioridades.

O atraso de mais de um ano na implantação contribuiu em muito para que chegássemos a esta situação, já que, se o projeto estivesse em fase de construção - como estava previsto -, muito provavelmente o CCBNB não figuraria nesta lista negra.

A perda (mesmo que temporária) traz um prejuízo real para todos, não apenas na área da cultura, uma vez que a dinâmica que o Centro é capaz de estimular, movimentaria em muito a atual economia criativa do município. Fica aqui nosso agradecimento aos espíritos-de-porco.

13.7.12

Internet e eleições municipais de 2012

Algumas dicas importantes para candidatos, assessores, correlegionários, cabos eleitorais, blogueiros e usuários das redes sociais.
- A campanha na internet é permitida desde o último dia 6 de julho e não há mais determinação de data para o encerramento.

- Na internet, é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga.

- Proibido veicular a propaganda eleitoral em sites de pessoas jurídicas (com ou sem fins lucrativos), de órgãos oficiais e de entidades ligadas à administração pública.

- A sua manifestação de voto é permitida (assim como o pedido de votos para determinado candidato), tanto em blog quanto em redes sociais, em qualquer uma das formas: artigos, entrevistas, vídeos, fotos, áudios, material de campanha...

- É vetado o anonimato ao dar sua opinião, comentar em fóruns, divulgar informações ou qualquer manifestação. É livre a manifestação de pensamento, desde que você se identifique. Isso vale tanto para autores de blogs, quanto a qualquer participação em fóruns e perfis de redes sociais;

- É poribido usar perfil falso ou falar em nome de terceiros, sem autorização, fingir ser um candidato ou atribuir indevidamente mensagens à autoria de outros;

- Cuidado com brincadeiras e com falsas notícias; não confie em toda e qualquer informação. Antes de publicá-las, vale a pena comprovar e verificar a fonte.

- O envio de e-mails em massa só é permitido para listas de endereços cadastrados gratuitamente e que foram geradas unicamente para esse fim e deve existir, na mensagem, um link claro e visível de como descadastra-se para parar de receber as mensagens.

- Blogueiros, cuidado com o que fala sobre os candidatos, pois isso pode gerar direito de resposta e até multa e outras sanções da lei, como ataque a honra de alguém.

- É permitido realizar enquetes, desde que fique claro para o público que ela não segue método científico e que o resultado não demonstra oficialmente as intenções de voto dos eleitores.

- Violar as leis eleitorais poderá acarretar na suspensão por 24 horas ou total de blogs ou sites e não apenas do material irregular. Quem descumpre os limites impostos pode ser punido com multa e outras sanções legais.

E, mais importante, uma dica a candidatos e assessores: se você não sabe utilizar as redes sociais e a internet, melhor não tentar fazer campanha nesse meio. Você ganhará mais se ficar numa esquina distribuindo santinhos! A campanha na rede ajuda e facilita muito, mas pode prejudicar sua imagem se for mal utilizada.

Consulte e conheça a legislação: Lei das Eleições e Lei da Propaganda Eleitoral

12.7.12

Lula: "cada um constrói a sua verdade"

Em depoimento à série "O Tempo e o Modo", do canal RTP2, da televisão portuguesa, o ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva falou sobre sua energia e capacidade de renovação como político, sobre como construir o futuro, sobre a Europa e a atual correlação de forças no mundo, ecologia e sustentabilidade, a inexistência de um pensamento de esquerda, Dilma enquanto sua sucessora e a importância das mulheres na política. Confira o episódio clicando na imagem abaixo.


A SÉRIE - "O Tempo e o Modo", de Graça Castanheira, é uma série produzida pela Pop Filmes com dez personalidades de geografias e quadrantes sociais diversos para, em conversas de 30 minutos, refletirem sobre o mundo e o futuro. A exibição teve início no dia 10 de maio, com depoimento do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano. Quem também participou foi a ativista indiana Vandana Shiva. O episódio com Lula foi ao ar no último dia 5.

6.7.12

Nova biografia censurada no Brasil: a do Anderson Silva


A biografia proibida de - ou melhor - por Roberto Carlos, ao que parece, fez escola. Dessa fez a determinação partiu da Justiça do Paraná.

A ação que pediu a retirada das edições do livro "Anderson Spider Silva" (editora Primeira Pessoa/Sextante) foi ajuizada por Rudimar Fedrigo, dono da academia Chute Box e ex-treinador do lutador. Rudimar alega que teve a honra atacada em vários trechos do livro.

No livro, Anderson cita o professor de Muay Thai e fundador da academia como uma pessoa do “mal”, questiona sua faixa preta e o acusa de tentar prejudicá-lo por várias vezes em sua carreira. Rudimar e Anderson se conheceram no início dos anos 2000, quando Silva foi treinar em sua academia.

A liminar obriga a Sextante a recolher os livros de todos os pontos de venda em no máximo dez dias sob pena de multa de 300 reais por exemplar não retirado de circulação. A editora chegou a recorrer da decisão, mas não obteve sucesso até agora.

Atualmente, o Congresso Nacional discute sobre uma nova lei de biografias (Projeto de Lei 393/2011, do deputado Newton Lima - PT/SP).

LUTA - Neste sábado, 7 de julho, Silva enfrenta Chael Sonnen, em Las Vegas. O duelo é um dos mais aguardados pelos amantes do MMA. Em 2010, no primeiro encontro dos dois, Anderson Silva saiu vitorioso e, agora, o norte-americano quer revanche.

4.7.12

Nike polemiza com carta a favor do Corinthians

Responsável pela confecção dos materiais esportivos do Corinthians, a Nike anunciou nas páginas dos principais jornais do Brasil, na manhã desta quarta-feira (4) - dia da final da Libertadores, uma carta direcionada “à maior torcida do Brasil”, ou seja, àqueles que torcem contra o time do Parque São Jorge. E as palavras contidas na carta causou bastante polêmica entre os rivais, principalmente nas redes sociais.

No Twitter e no Facebook, os corintianos exaltaram a coragem da empresa, enquanto que os adversários ficaram irritados com o anúncio e falaram até em boicote aos produtos da empresa.

Até mesmo os jornalistas esportivos, que muitas vezes não revelam seus times do coração, se manisfestaram sobre o caso, também se dividindo entre apoio e repúdio. A Nike também patrocina outros times brasileiros, como o Santos. (Do Vírgula.com)

Leia a carta abaixo (clique na imagem para ampliá-la).

2.7.12

A beleza do contraditório


O Teatro Mágico não está nas grandes mídias, nem tem uma super-gravadora por trás do seu trabalho e está contra a corrente do mercado que transformou a música e a arte em produtos. Eles seguem como artistas independentes e se orgulham disso. E, para isso, tem mais que um motivo: seus shows são repletos de fãs e admiradores e os números que envolem o nome da banda são surpreendentes. Mais de 400 mil CDs e 120 mil cópias de DVDs vendidos em oito anos. Mais de seis milhões de downloads e quase três milhões de visualizações no perfil oficial da banda no YouTube. No Twitter são cerca de 120 mil seguidores e mais de 250 mil curtidores no Facebook.


Pela terceira vez em Vitória da Conquista, a trupe de Osasco fez uma belíssima apresentação no Centro de Convenções Divaldo Franco. Pelo Facebook, quem prestigiou o show festejou mais uma passagem da banda pela cidade. "O melhor show que já fui aqui em Conquista", escreveu Manoela de Oliveira. "Perfeito, define a apresentação da trupe nesta noite", disse Henrique Azevêdo. Felipe Dias saiu inspirado da apresentação: "entre a falta e o excesso, um equilíbrio tão singular quanto um beijo". Já Laís Barros, quer bis: "Adorei, voltem mais vezes".


O Teatro Mágico levou música, teatro e poesia para o palco. A plateia, entusiasmada do início ao fim, cantou em coro com o vocalista Fernando Anitelli sucessos dos três discos do grupo. E o repertório estava afinado entre o público que reconhecia cada canção ainda nos primeiros acordes. Agora, como a banda consegue manter e ganhar público fora dos meios de massa de comunicação? A resposta é simples: a mensagem d'O Teatro Mágico nos chega via internet. É esse o meio que transformou a trupe em uma sociedade de espetáculos, longe da espetacularização.

Durante entrevista coletiva, o vocalista falou sobre o papel da internet para divulgação das artes e sobre a relação da banda com a sociedade do espetáculo, a mídia e as gravadoras.

"A gente tem que se relacionar com o rádio e com a TV de maneira muito clara. Vamos falar do nosso projeto, do nosso trabalho, vamos ocupar esses espaços, mas você não vai ver O Teatro Mágico se jogando dentro de uma banheira de bolinhas procurando um sabonete", esclarece Anitelli. "O Teatro Mágico não surgiu do rádio nem da TV, surgiu da galera, da internet, e daí foi para a grande mídia. A forma como surgiu foi uma maneira para que a gente possa refletir sobre uma outra economia em relação à música digital".

Sobre as músicas, ele disse que "todas têm uma intenção. A ideia é nunca fazer música simplesmente para entreter o público, para ter uma levada legal e um grupo bacana. É fundamental a gente poder politizar, criticar com brasilidade e com música. As músicas têm que ter um porquê, um pra quê, ter moral da história, para não ficar simplesmente no etéreo".

21.6.12

Waldonys: "Luiz Gonzaga é digno de homenagens por toda vida"


Discípulo do mestre Luiz Gonzaga, o forrozeiro cearense Waldonys, antes de subir ao palco do Forró Pé-de-Serra do Periperi, visitou a Vila Junina e o Memorial do Forró, na praça Tancredo Neves, onde concedeu entrevistas, tirou fotos, tocou sanfona, cantou Gonzagão e assistiu a uma quadrilha junina.

Nesse São João, Waldonys também se apresenta em outras cidades baianas, como Jequié, Amargosa, Santo Antônio de Jesus e Irecê. Leia o bate-papo que tivemos com ele.

Segunda vez na programação do São João de Vitória da Conquista, como é retornar à cidade e o que achou da programação?
Estou muito feliz e encantado com a festa, desde o ano passado quando vim pela primeira vez. Agora estou ainda mais contente por ser o ano do centenário do Seu Luiz Gonzaga. Essa é uma tecla que todo mundo está batendo muito, mas eu bato com muita força por ser discípulo e afilhado de Luiz Gonzaga. Estou muito honrado.

Existe sucessor para Luiz Gonzaga?
Se Seu Luiz tivesse um sucessor, seria o Dominguinhos, mas ele mesmo diz que não existe sucessor para Seu Luiz e defende que ele tem seguidores. E eu digo que o número um chama-se José Domingos de Morais, o Dominguinhos.

Você é um desses seguidores e ele foi o seu padrinho, mas além da carreira, existe uma importância da figura do Luiz Gonzaga na sua vida?
É a maior possível. Eu me inspirei muito nele, me espelhei muito nele. Ouvi muito Luiz Gonzaga por conta do meu pai. Ter conhecido ele, ter tocado e gravado com ele, isso tudo foi muito enriquecedor para minha carreira e minha vida. Eu aprendi muito por estar perto do Luiz Gonzaga. Ele calado já era um ensinamento, era uma aula muito grande. Eu tive a honra de ter compartilhado de grandes momentos seja nos shows e nos palcos, como também no pessoal. Ele ficava lá em casa. Dormia e acordava na minha casa, isso foi muito valioso pra mim.

Luiz Gonzaga tem uma grande importância na música brasileira e é um ícone da cultura nordestina, mas, ao que parece, só é homenageado em datas especiais, como no caso do centenário...
E tem muita gente tirando casquinha nessa história de centenário de Luiz Gonzaga e que não tem nada a ver com Luiz Gonzaga. Outras pessoas podem até dizer que é legal, que tudo é válido por estar elevando o nome de Luiz Gonzaga, mas ele não precisa disso. O que mata são os excessos. A bebida não mata, o que mata é o excesso. Se beber água demais, vai morrer afogado... Então, tem muitas coisas sendo feitas usando o nome Luiz Gonzaga, mas qualquer cego vê que não tem nada a ver. Eu fico assistindo de camarote e rindo. Eu tenho como referência forte o seu Luiz Gonzaga e mantenho essa tradição. Temos que estar sempre atentos, pois devemos muitos a ícones como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês. Não devemos homenagear apenas no centenário, mas é digno de se homenagear toda a vida. O beatle Paul McCartney esteve em Recife para um show, poderia ter subido ao palco e feito o show dele, mas ele chegou e falou "salve a terra de Luiz Gonzaga". Isso é muito forte, muito importante para vermos o tamanho que é a obra e o artista Luiz Gonzaga.

Qual a música de Gonzagão que é mais marcante para você?
Asa Branca, sem dúvida, já é um hino. Não tem jeito, a gente roda, roda, e para em Asa Branca. Vida do Viajante também, que é a nossa história, a história do artista.

Além de você e do Dominguinhos, quais forrozeiros tem honrado o legado do rei?
Temos muitos. Tem o Santana, que é um seguidor muito fiel, o Flávio José que faz um forró de tradição. Temos um pessoal que segura bem a bandeira do forró, forró mesmo. Forró só existe dois tipos, o verdadeiro e o falso. Eu costumo até brincar, que forró é igual tatu, só presta o verdadeiro, o resto é peba.

15.6.12

Control C + Control Veja


Por Cynara Menezes (publicado no site da Carta Capital)

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.

Confira na matéria "O manual do PT para instrumentalizar a CPI do Cachoeira" os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.

Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (Movimento na web tenta intimidar Gilmar Mendes).

Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Onde mora o perigo)

Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (Demóstenes tratou de processo da Celg no STF, segundo PF).

Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…

Mais:
Exercício de ‘copia e cola’ leva Veja aos TT’s
Veja agora mente na base do copia e cola

14.6.12

Rio+20: Positividades e negatividades da Economia Verde


Por Leonardo Boff, publicado na Agência Adital

A grande proposta que, seguramente, sairá da Rio+20 no nível oficial da Encontro dos representantes dos povos é a economia verde. A intenção é promissora:”economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”. Analisando o texto oficial, calcado sobre um documento do PNUMA Iniciativa de Economia Verde, se percebe que não difere nas metas e nos processos do clássico desenvolvimento sustentável. No fundo, se trata da mesma coisa. O documento da ONU evita o desenvolvimento sustentável como tema central pois tem a consciência da banalização e do desgaste desta expresão. Como denunciava recentemente Gorbachov: ele se revelou insustentável, "engendra crises, injustiça social e o perigo de catástrofe ambiental” (O Globo, 09/06/2012). A expressão mais adequada e menos ambígua seria uma economia de baixo carbono.

Já fizemos críticas desta versão da economia, o caráter ideológico do mesmo capitalismo que já conhecemos, agora com a máscara de verde. Mas já que se impôs a expressão economia verde vamos tentar desentranhar o que de positivo possa existir nele. Como qualquer outra realidade, também o gênio do capitalismo sempre criativo em suas adaptações, pode conter algum elemento aproveitável.

Partimos de um pressuposto teórico que convem revelar: o teorema de Gödel, segundo o qual, por toda parte reina sempre a incompletude. Nada é rotundamente perfeito. Luz e sombras acolitam as práticas humanas. Mesmo os propósitos mais puros encerram imperfeições e os mais problemáticos, dimensões aceitáveis. Nunca podemos praticar um mal absoluto como também realizar um bem absoluto. Vivemos numa ambiguidade originária. Ela não é um defeito mas uma marca da condição humana e da própria estrutura do universo, feita de caos e cosmos e de ordens e desordens sempre coexistindo simultaneamente.

Tentemos aplicar esse entendimento à ecologia verde e ver o que nela é resgatável e o que não é. Ela pode significar várias coisas.

5.6.12

Gil Giardelli: "eu não compraria ações do Facebook"

Em Vitória da Conquista para realização da palestra "Colaboração Humana, Inovação Coletiva e Social Good", o professor e especialista no Mundo.com, Gil Giardelli, falou aos blogs Conversa de Balcão e Jornalismo & Interatividade sobre redes sociais, marketing digital, comportamento e mercado.

Gil é CEO da Gaia Creative (empresa em que implementa inteligência de mídias sociais, economia colaborativa, gestão do conhecimento e inovação para empresas) e professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Mais sobre o palestrante no seu site (gilgiardelli.com.br).

Uma empresa que não está na internet, seja nas mídias sociais ou com um site, pode ser considerada ultrapassada?
Não ter um site é não fazer parte de uma sociedade digital. Ter um site e uma rede social é como se sua loja ficasse aberta 24 horas por dia nos sete dias da semana e, para isso, é preciso estar disposto. Você pode fazer pães de mel com cupuaçu, sempre vai ter alguém, mesmo que do outro lado do mundo, querendo comprar, esse é o grande poder do social commerce.

Quais os principais desafios para uma empresa que se dispõe a estar nas redes sociais?
Ter uma linha editorial bacana e entender o que sua empresa fala. Mídia social não é falar só dela, mas ter um diálogo realmente. Pelo conceito de vendas, se a mídia social não for últil em serviço para a pessoa que está seguindo, ela não tem porque ter. É preciso agregar valor e serviço ao seu produto. Se tem uma academia aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, ela pode falar de qualidade de vida, o porque de se fazer exercícios e da boa alimentação. Nas mídias sociais o desafio é, primeiro, não transformá-la em um SAC 2.0, depois, não fazer dela um grande outdoor com propagandas, em terceiro, se lembrar de que no final é um grande relacionamento e uma conversa.

É possível aliar velhas práticas de mercado com as tendências do mundo digital?
Não. Estamos vivendo um choque de gerações, de séculos, de hiatos, de formas de ver o mundo. Antes, um acadêmico tinha que pedir autorização para ter acesso a alguns livros numa grande universidade, conteúdos de extrema relevância ficavam presos em organizações e religiões, agora tudo está aberto. Isso é o "Triunfo da Transparência", que vai produzir pessoas melhores, mais engajadas e de mais entendimento. Antes, eu falaria, talvez, somente com a TV aqui da região, hoje falo com o maior prazer, às vezes é até mais relevante, com um blogueiro independente local. Dessa forma não dá mais para usar métodos antigos, até no marketing, antes bombardeava o consumidor, acertava o target, cobertura total... Isso é linguagem de guerra, hoje não queremos mais linguagem de guerra, queremos conversar.

O brasileiro sabe usar as redes sociais?
Estamos na infância do uso das mídias sociais. Apesar de ser segundo no Facebook e o quarto país que mais ler blogs, a gente usa muito com sutilezas da vida: compartilhar fotos dos amigos, dos animais... Nada contra isso, faz parte. Porém, está na hora de começar a criar o webativismo, o engajamento, usar as redes sociais para fazer educação, empreendedorismo e isso faz parte do amadurecimento da sociedade.

Após a abertura de ações do Facebook na bolsa de valores, o analista de mercado e investidor da Ironfire Capital, Eric Jackson, disse que a rede vai deixar de existir em oito anos. Qual a sua opinião sobre essa previsão?
Não posso falar em anos, mas ferramentas como o Facebook passam, as pessoas cansam e ela vai perder a força. Não sei se acaba, pois tem um processo de inovação muito grande, diferente do Orkut. Pode ter uma vertente aí e se reinventar, porém eu não compraria ações do Facebook.

1.6.12

Lula admite ser candidato de novo 'para não deixar tucano voltar'



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, na noite desta quinta-feira, sair novamente candidato a presidente da República apenas no caso de a atual ocupante do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, não ter interesse de concorrer nas próximas eleições. De acordo com o político, ele jamais permitiria que "um tucano voltasse". "A única hipótese de eu ser candidato é se a presidenta Dilma não quiser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil", disse.

Convidado do Programa do Ratinho, no SBT, Lula foi pela primeira vez a uma televisão para ser entrevistado após superar o câncer na laringe. Ele mencionou, rapidamente, a polêmica em que foi envolvido após declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que afirmou a uma revista que Lula teria feito pressão para um julgamento parcial do escândalo do mensalão.

"Quem inventou esta história vai ter que acreditar nela. O tempo se encarrega de acomodar as coisas", disse.

Questionado sobre os problemas na saúde pública pelo apresentador, o ex-metalúrgico os atribuiu ao fim da CPMF. Lula lamentou que a bancada de oposição ao seu governo no Congresso Nacional tenha retirado o imposto sobre operações financeiras, que ficou conhecido como "imposto do cheque", e servia para financiar a Saúde. O ex-presidente disse que os parlamentares lhe "tiraram R$ 40 bilhões" por "vingança". "Me tiraram a CPMF, que é um imposto de rico, por vingança. Achavam que estavam me atacando, mas estavam atacando o povo brasileiro", disse Lula.

Em tom descontraído, o programa teve afagos constantes entre Lula e Carlos Massa, conhecido como Ratinho. "Sempre fui admirador dele, desde 1982. Vamos trabalhar em televisão", brincou Ratinho. "Muita gente estranha por que (conceder a primeira entrevista) no Ratinho e eu digo: 'porque já comi rabada na casa do Ratinho e porque ele comeu rabada na granja do Torto'. Somos amigos. Amizade não tem preço", disse Lula.

Antes da chegada do ex-presidente, Ratinho afirmou que ele não passaria por perguntas constrangedoras. "O presidente é convidado deste programa, ele não é mais presidente, não tem que ser cobrado por nada", disse.

Lula foi acompanhado por aliados, como o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), e pelo ex-ministro da Educação e pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. "Eu achava que era o momento de apresentar uma coisa nova para a cidade", disse o ex-presidente, perguntado sobre por que havia escolhido Haddad para a campanha. (Hermano Freitas - Jornal do Brasil)

30.5.12

As cores de Eliane Kruschewsky

A arquiteta no ambiente que criou para a Mostra ArqDecor
Formada pela Universidade Federal da Bahia em 1981, ela é uma das mais renomadas arquitetas do estado. Eliane Kruschewsky executa projetos arquitetônicos e interiores residenciais, comerciais e consultoria técnica, já participou de várias mostras de decoração, como Casabella, New Design e Casa Cor da Bahia. Alguns de seus trabalhos foram publicados pelas revistas Casa Vogue, Casa e Jardim, Viver Bem, Casa Cláudia, entre outras.

A arquiteta participa pela primeira vez da Mostra ArqDecor, assinando o quarto de casal, e aproveitou a oportunidade para apresentar seu livro "Cores", lançado no final do ano passado em celebração aos seus 30 anos de carreira. No livro, Eliane mostra seus principais projetos, fala sobre a escolha de materiais para o seu trabalho e suas fontes de inspiração. Publicado pela editora VJ, a obra toma as cores como eixo, nos apresenta ambientes impecáveis, ressalta detalhes e reúne depoimentos de personalidades. Confira entrevista com Kruschewsky.

Por que limitou o título do seu livro ao elemento cor?
Na realidade foi uma didática. Eu juntei alguns projetos nas mesmas cores e fui mostrando de que forma eu as utilizo e, com isso, vou passando de uma cor para outra. Então, fiz uma eleição de doze cores principais e falo sobre a cor, a sua influência, o que ela produz, as emoções e os efeitos que a gente quer.

É difícil trabalhar com a cor de um ambiente?
É! Cor é um elemento que precisa saber ser explorado. Ela pode modificar totalmente um mesmo ambiente. Se um ambiente branco, você transformar todo em vermelho, vai ter um efeito surpreendente, fica com outro visual, outra proposta, passa do clean para o sensual. A cor muda muito o ambiente.

Como define o seu trabalho?
Ele é contemporâneo com traços clássicos.

Como foi o início da sua carreira de arquiteta?
Difícil, mas eu sempre acreditei muito. Eu achava que as pessoas precisavam de um profissional para ajudar a fazer sua casa, tanto na parte de projetos quanto de decoração. No início todo mundo dava um jeitinho e não procurava um profissional, com os novos anseios e os apartamentos menores as pessoas sentiram a necessidade de um profissional para estudar todas as áreas.

23.5.12

Repúdio aos programas policialescos na Bahia

Leia a carta divulgada por jornalistas baianos em repúdio aos abusos cometidos por programas policialescos. A nota foi emitida após a reportagem da repórter Mirella Cunha, exibida no "Brasil Urgente", da Band-BA, ganhar repercussão nacional nas redes sociais. A reportagem pode ser conferida no vídeo abaixo.



Carta aberta de jornalistas sobre abusos de programas policialescos na Bahia

"O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha."
(Gregório de Mattos e Guerra)

Ao governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner.
À Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia.
Ao Ministério Público do Estado da Bahia.
À Defensoria Pública do Estado da Bahia.
À Sociedade Baiana.

 A reportagem "Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência", produzida pelo programa "Brasil Urgente Bahia" e reprisada nacionalmente na emissora Band, provoca a indignação dos jornalistas abaixo-assinados e motiva questionamentos sobre a conivência do Estado com repórteres antiéticos, que têm livre acesso a delegacias para violentar os direitos individuais dos presos, quando não transmitem (com truculência e sensacionalismo) as ações policiais em bairros populares da região metropolitana de Salvador.

A reportagem de Mirella Cunha, no interior da 12ª Delegacia de Itapoã, e os comentários do apresentador Uziel Bueno, no estúdio da Band, afrontam o artigo 5º da Constituição Federal: "É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral". E não faz mal reafirmar que a República Federativa do Brasil tem entre seus fundamentos "a dignidade da pessoa humana". Apesar do clima de barbárie num conjunto apodrecido de programas policialescos, na Bahia e no Brasil, os direitos constitucionais são aplicáveis, inclusive aos suspeitos de crimes tipificados pelo Código Penal.

Sob a custódia do Estado, acusados de crimes são jogados à sanha de jornalistas ou pseudojornalistas de microfone à mão, em escandalosa parceria com agentes policiais, que permitem interrogatórios ilegais e autoritários, como o de que foi vítima o acusado de estupro Paulo Sérgio, escarnecido por não saber o que é um exame de próstata, o que deveria envergonhar mais profundamente o Estado e a própria mídia, as peças essenciais para a educação do povo brasileiro.

Deve-se lembrar também que pelo artigo 6º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, "é dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos". O direito à liberdade de expressão não se sobrepõe ao direito que qualquer cidadão tem de não ser execrado na TV, ainda que seja suspeito de ter cometido um crime.

O jornalista não pode submeter o entrevistado à humilhação pública, sob a justificativa de que o público aprecia esse tipo de espetáculo ou de que o crime supostamente cometido pelo preso o faça merecedor de enxovalhos. O preso tem direito também de querer falar com jornalistas, se esta for sua vontade. Cabe apenas ao jornalista inquirir. Não cabem pré-julgamentos, chacotas e ostentação lamentável de um suposto saber superior, nem acusações feitas aos gritos.

É importante ressaltar que a responsabilidade dos abusos não é apenas dos repórteres, mas também dos produtores do programa, da direção da emissora e de seus anunciantes - e nesta última categoria se encontra o governo do Estado que, desta maneira, se torna patrocinador das arbitrariedades praticadas nestes programas. O  governo do Estado precisa se manifestar para pôr fim às arbitrariedades; e punir seus agentes que não respeitam a integridade dos presos.

Pedimos ainda uma ação do Ministério Público da Bahia, que fez diversos Termos de Ajustamento de Conduta para diminuir as arbitrariedades dos programas popularescos, mas, hoje, silencia sobre os constantes abusos cometidos contra presos e moradores das periferias da capital baiana.

Há uma evidente vinculação entre esses programas e o campo político, com muitos dos apresentadores buscando, posteriormente, uma carreira pública, sendo portanto uma ferramenta de exploração popular com claros fins político-eleitorais.

Cabe, por fim, à Defensoria Pública, acompanhar de perto o caso de Paulo Sérgio, previamente julgado por parcela da mídia como "estuprador", e certificar-se da sua integridade física. A integridade moral já está arranhada.

Salvador, 22 de maio de 2012.

Leia Mais: Repórter da Band BA "debocha" de entrevistado e é acusada de racismo na web

11.5.12

Para debater direitos autorais e Ecad


Durante o Festival da Juventude, em Vitória da Conquista, uma discussão despertou o meu interesse: a questão dos Direitos Autorais e o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Primeiro, porque na roda de conversa sobre democratização da comunicação uma breve reflexão foi aberta pela coordenadora executiva do Instituto Overmundo, Oona Castro, durante o debate. Depois, porque atrações como Lucas Santtana, Móveis Coloniais de Acaju e Criolo, que se apresentaram no palco da praça Barão do Rio Branco, disponibilizam suas obras para download na internet e são, ainda assim, nomes consagrados no cenário nacional.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei uma entrevista publicada no caderno “Link” do jornal Estado de São Paulo, no último dia 30 de abril, com o senador do PSOL (AP), Randolfe Rodrigues. Confira abaixo.

A mudança defendida pela CPI é a mesma da reforma da Lei de Direitos Autorais?
Randolfe Rodrigues – Sim, nosso modelo coincide. Queremos primeiro a instituição de uma instância reguladora ligada ao executivo. Será a Secretaria do Direito Autoral, que deve estar vinculada ao Ministério da Justiça, e terá em seu âmbito a restauração do antigo Conselho Nacional de Direito Autoral. Ele terá representação tripartite, com governo, sociedade, autores e compositores. Pode ser que, nesses aspectos, nossa proposta coincida com a do governo. Se for, será ótimo.

Por que a atualização da lei é necessária?
R.R. – A atual (9.610/1998) é anacrônica. É uma lei dos anos 70, quando não havia internet e novas tecnologias. Hoje (quinta-feira, 26/4), eu estava com os músicos Leoni e Gustavo Anitelli, e ambos têm uma parceria para um projeto online em que o cidadão possa acessar letra de música, cifras para o violão. E isso é algo que não existiria com a atual lei. Ela não dialoga com essas realidades. É um arremedo de um tempo que o direito autoral hoje não reconhece mais com um momento da história nacional, os anos 90, em que um Frankenstein, o Ecad, passou a existir sem nenhuma fiscalização.

O modelo de um órgão central para arrecadar e distribuir condiz com a internet?
R.R. – Não e é por isso que a lei tem de mudar. Por isso a nossa lei é a quinta pior do mundo, segundo a (federação) Consumers International. Não cabe a uma entidade o monopólio de arrecadação e distribuição. Podemos até manter o Ecad, mas ele precisa se limitar a arrecadar e distribuir. Não pode ser o único detentor de direitos.

Sem o Ecad, quem estabelecerá as regras sobre quem paga, quem recebe e os valores?
R.R. – A Secretaria de Direito Autoral, no Ministério da Justiça, e isso será submetido ao Conselho. É uma mudança profunda. O trabalho na secretaria será fiscalizado, tudo o que for arrecadado e distribuído será divulgado. Nós também propusemos o fim da arrecadação por amostragem. Isso, se de fato conseguirmos, vai dar fim ao jabá que é dado para as rádios.

O Ecad fala em exploração política. Vocês responderam?
R.R. – Nem eu nem o relator da CPI (senador Lindberg Farias, PT-RJ) somos candidatos nestas eleições. Não tem porque fazermos utilização eleitoral. Em vez de atacarem os argumentadores, eles deviam responder aos argumentos. O que nós constatamos é que, devido ao Ecad, o modelo de direito autoral existe no País hoje é antinacional, anacrônico e corrupto.

Os senadores acreditam que as recomendações do relatório serão seguidas?
R.R. – Existe um posicionamento para isso, tanto do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, quanto da Procuradoria Geral da República. Parece que, pelo menos para o crime de cartel, está provado que o Ecad tem praticado.

É possível estabelecer datas para as mudanças?
R.R. – Espero que seja em breve. Por exemplo, apresentamos um projeto para modificação da Lei de Direitos Autorais, que é resultado da CPI. Estamos protocolando o projeto no Senado, e ele segue direto para apreciação como projeto de lei. Então espero que algumas mudanças aconteçam neste ano.

O projeto apresentado contraria a proposta de reforma do Ministério da Cultura? Houve alguma conversa?
R.R. – Vou emitir a minha opinião, que não é a da CPI. Fico pasmo com a omissão do Ministério da Cultura neste processo. O MinC deveria ter sido o primeiro a apoiar a CPI e acatar as recomendações.

Mas, ao contrário disso, a ministra não manifesta uma posição clara de oposição a esse sistema do Ecad. Isso atrapalha o andamento do projeto?
R.R. – Não acredito. Hoje fomos recebidos pela Ideli Salvatti (ministra das Relações Institucionais) e eu fiquei muito satisfeito com a manifestação dela. Senti um comprometimento. Ela chegou a dizer para nós que seria uma militante da ideia e da causa do relatório final.

9.5.12

A crítica de Wagner Moura ao Pânico

Um desabafo do ator Wagner Moura feito em 2008 voltou a circular recentemente na internet e virou febre na rede social Facebook. No texto, o ator critica o estilo apelativo de programas de entretenimento e cita o caso em que foi alvo de uma brincadeira. Na época, a publicação foi feita pelo globo.com e o Pânico era transmitido pela RedeTV.
Confira o texto abaixo:


"Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice.

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"

8.5.12

#Rapidinhas: Festival da Juventude

Clique na foto para ampliar
SÁBADO - Sem Tom Zé, que cancelou sua participação no Festival da Juventude na última hora, o segundo dia na praça Barão do Rio Branco, completamente lotada, foi da banda Móveis Coloniais de Acaju, que dividiu parte do show com o cantor Leoni, convidado do grupo brasiliense. A turma na ponta do palco (e não era pouca gente) sabia todas as letras e cantavam junto com a banda, prova de que "vender" cd é coisa do passado (a banda disponibiliza seus discos para download no site oficial). O ponto alto foi quando o vocalista e alguns músicos desceram do palco e abriram uma roda fazendo o show do meio do público.

LEONI - O grisalho ex-integrante da banda Kid Abelha tomou uma parte do show da Móveis e, com um violão, puxou o coro de canções bastantes conhecidas pelo público. "Garotos", "Como eu quero" e "Os outros" fizeram quase que a totalidade da praça cantar, uma parte dela, claro, relembrava décadas passadas embaladas por esses e outros hits. O cantor, retribuindo a calorosa recepção, custou sair do palco e participou do encerramento da apresentação da banda anfitriã. Juntos cantaram a cantiga "Se essa rua fosse minha".  

RODA DE CONVERSA - Democratizar a comunicação é um desafio. A questão é discutida há décadas por movimentos sociais, profissionais e estudantes da área da comunicação social. Alguns avanços já ocorreram, no entanto, há muito a ser feito. Uma das rodas de conversa de domingo teve esse tema. Um dos participantes foi o jornalista e ex-deputado federal Emiliano José, que falou sobre a regulamentação das comunicação como uma forma de se preservar e garantir a liberdade de expressão, "e não o contrário como dizem por aí". Para Emiliano, ainda existem muitas vozes silenciadas pela "velha mídia" e, por isso, democratizar a comunicação é urgente, é urjá! 

MUNDO LIVRE S/A- A banda pernambucana misturou músicas de toda a carreira com as do último cd, "Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa", lançado em 2011. Durante a apresentação, o grupo homenageou um dos criadores do movimento manguebeat, Chico Science, com a música "Computadores fazem arte". Pelo Twitter do grupo, um agradecimento ao público: "Valeu Festival da Juventude, noite memorável ontem aqui! Público quente, entusiasta e participativo! Abraço à todos". A banda permaneceu, nesta segunda, em Conquista por não ter conseguido decolar devido ao tempo fechado.

CRIOLO - Um som contagiante fechou em grande estilo a primeira edição do Festival de Juventude. Revelação em 2011, apesar dos mais de vinte anos de carreira na música, Criolo mostrou as canções de "Nó na Orelha" para Conquista e viu uma plateia cantar e vibrar com sua sonzeira. "Isso [o festival] deveria acontecer, pelo menos, uma vez no mês, para todas as cenas", sugeriu Criolo. Lógico que a plateia concordou e aplaudiu o MC, responsável por um dos melhores shows em que a Barão do Rio Branco já foi palco. Ele não cansava de agradecer a energia do público, que resistia ao frio da madrugada de uma segunda-feira que chegava. Emocionado, Criolo se ajoelhou diante da juventude conquistense, como quem acredita na sua força, reconhecendo poder. Talvez, falta à juventude descobrir isso.

5.5.12

A hora e a vez da juventude


Há poucos dias, Vitória da Conquista poderia ser confundida como a "terra do sol" que está em um dos principais títulos de Glauber Rocha. No entanto, quem veio para a cidade por conta do Festival da Juventude, encontrou nessa sexta, 4, o famoso frio conquistense, com direito a uma fina garoa. A programação teve início à tarde com palestra de Leonardo Boff e Albino Rubim. À noite, na praça Barão do Rio Branco, o palco foi dos artistas locais Achiles Neto e da banda Ladrões de Vinil e do grupo soteropolitano Vendo 147, que recebeu Nina Becker, Lucas Santtana e Pepeu Gomes.

O primeiro dia do Festival, que vai até este domingo, 6, mostrou a que veio. Até então, os eventos musicais promovidos pela prefeitura municipal visavam a diversidade do público, atraindo famílias inteiras para a praça pública (não que este também não possa atrair...). Este ano, a cidade ganhou um focado na juventude, oferecendo diversas atividades culturais, como também espaços para o debate, permitindo a construção de pensamentos, o questionamento e a reflexão. Tudo que a juventude quer... Ou não.

Talvez muitos jovens, apesar de enfiados quase que 24 horas na internet, não saibam quem são Leonardo Boff, Lucas Santtana, Nina Becker, Tom Zé, Pepeu Gomes... Não estão interessados em descobrir o novo ou redescobrir o velho. Não se permitem viver novas sensações nem experimentar o experimental, como dizia Wally Salomão. Ficam alimentando e sendo alimentados pela cultura massificada, confundindo-se entre produtos superficiais e poucos significantes. Rindo de virais, aprendendo dançinhas e refrãos da moda e compartilhando conteúdos sem qualquer conteúdo nas redes sociais.

Antes de qualquer pré-julgamento, o Festival da Juventude se justifica. De acordo o Censo 2010, Vitória da Conquista tem cerca de 14% de sua população formada por pessoas com idade entre 15 e 29 anos e poucos espaços além-shopping que atraem essa parcela. Mas, eu esperava, apesar da garoa que deu cara de inverno à cidade, uma praça lotada de jovens sedentos por qualidade musical, prestigiando artistas da cidade e nomes consagrados dentro da música brasileira, como é o caso de Pepeu Gomes, um dos maiores guitarristas do país. Infelizmente, não foi o que eu vi. Pelo contrário, foi decepcionante ver jovens se esmurrando e rolando pelo chão a chutes e pontas-pé. Que juventude é essa? É ela a responsável pelas mudanças que a sociedade espera? Se for, continuaremos na espera.

Esta é a primeira edição do Festival e ontem foi apenas o primeiro dia. Que essa minha impressão seja desfeita a partir de hoje e que os jovens não me decepcionem. Ocupem a praça e comemorem um evento que prestigia a sua inquietude e o seu espírito revolto. Espero ainda que o Festival entre para o calendário de eventos da cidade, servindo como alicerce para um novo público e uma nova consciência. Além, é claro, de continuar a atender às expectativas do público que reconhece a boa música, seja ela nova ou velha, daqui ou de outro lugar, que tenha aparecido na mídia ou não. Esse público existe de fato e estava lá aplaudindo os que subiram ao palco e vaiando os que estragaram a festa.

A responsabilidade de sustentar a ideia do Festival da Juventude e de transformar a realidade sócio-cultural da nossa cidade é dessa parcela consciente da juventude e, como diz o refrão muito cantado por outros jovens e em outra época, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Portanto, façamos desse evento a hora e a vez da juventude conquistense.

Abaixo, fotos da noite de abertura.
Achiles Neto
Ladrões de Vinil
Vendo 147 e Nina Becker
Lucas Santtana
Só para lembrar, logo mais à noite tem o até hoje tropicalista Tom Zé na praça. Programação completa no site oficial.

30.4.12

#Rapidinhas: Massicas Indoor 2012

Esse é o texto de estreia da nova coluna no Conversa de Balcão. A partir de hoje, quando tiver um assunto que me permita escrever pequenas notícias por aqui, vou dividir em tópicos, fotos e pitados. Se quiser entrar na conversa, é só comentar que a gente inicia o bate-papo. Então, vamos ao primeiro assunto!

Oito7nove4 - Novatos no cenário da música baiana, os filhos do cantor Bell Marques se apresentaram pela segunda vez na cidade. Com repertório bastante pop (quase juvenil), Rafa e Pipo demonstraram simpatia, mas ainda falta habilidade com o microfone e um pouco mais de intimidade com o palco. Os jovens, no entanto, estão sendo bem assessorados, atenderam a todos no camarim e fizeram questão de cumprimentar os demais artistas que se apresentaram no mesmo dia. Tomara que a humildade não desapareça com o tempo.

Psirico - Márcio Victor e sua turma fizeram, sem dúvida, o show mais animado do Massicas Indoor. O cantor quando entra no palco não quer sair mais, isso todo mundo já sabe, mas em Conquista o público que aguardava pela apresentação se surpreendeu com a energia da banda. Teve até quem tirasse a camisa e esquecesse o frio da madrugada conquistense. Em entrevista ao F5Jequié, Márcio revelou que quer realizar ensaios do Psirico por aqui. Será que rola?

Chiclete com Banana - Chiclete é Chiclete e pronto. Mais de duas horas de show e repertório diversificado, indo dos sucessos mais recentes aos mais antigos. Bell Marques, ao ver alguns vinis do Chiclete que uma fã levou para a festa, conduziu o público a uma viagem ao passado, relembrando sucessos do início da carreira da banda. Apesar de estar sempre na cidade, é a banda mais aguardada e nunca decepciona. Duvida? Eles voltam em novembro e, certamente, já tem gente querendo comprar o ingresso.

Espaço Mira Flores - Demorou, mas finalmente Conquista tem uma opção de espaço que concorre com o Parque de Exposições. O lugar, planejado para grandes eventos, proporciona conforto a qualquer público. Na área coberta, destinada a camarotes, por si só já dá para fazer uma bela festa. O único porém é a localização, fica na estrada da Uesb, a cerca de 4 km da cidade. No entanto, a localização pode ser bem vista pelos produtores de eventos, já que a vizinhança de áreas de eventos dentro da cidade tem reclamado do barulho e dos transtornos gerados por grandes festas.

Deixando o Indoor de lado - O show de Maria Bethânia que aconteceria dia 27 de maio, pelo Massicas, foi cancelado por que a cantora não viaja em aviões de pequeno porte, de acordo publicação do produtor Pedro Massinha na sua página do Facebook. Segundo informações, a mesma dificuldade está enfrentando em negociação para trazer o cantor Milton Nascimento à cidade.

Próximos eventos - A próxima festa do selo Massicas é o EvaNave, com a banda Eva e o cantor Magary Lord, dia 9 de junho. Outras festas já estão agendadas, como o Massicas na Rua, que acontece nos dias 8 e 9 de novembro - com Chiclete com Banana. Massinha promete surpresas para esta edição, a primeira que será realizada em dois dias. No Twitter, disse que está correndo atrás da musa Ivete Sangalo, mas não revelou para quando. Será que ela voltar a puxar um trio nas ruas de Conquista?

11.4.12

Sobre o doc do Raul


Cada país tem o seu Elvis Presley. O do Brasil, sem dúvida, é Raul Seixas (1945-1989). O cantor e compositor baiano, aliás, adorava Elvis. Foi seu ídolo de infância, chegando a fundar em Salvador um certo Elvis Rock Club junto com o amigo Waldir Serrão.

Esta ligação e outras estão no documentário Raul: o início, o fim e o meio, em que o diretor Walter Carvalho (Cazuza – O Tempo Não Para, Budapeste) procura dar conta do mito e do homem Raul – um dos ídolos da música nacional que mais tem provocado um culto póstumo em torno de si, seguindo, nisso também, a saga de Elvis.

Baiano como os tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tomzé, Seixas mostrou-se mais anárquico e radical do que eles. Misturou rock com baião no primeiro grande sucesso, Let me sing, let me sing, que estourou no Festival Internacional da Canção em 1972, traduzindo nessa canção uma outra influência, de Luiz Gonzaga.

Guiado por intuição e rigor, Walter Carvalho reconstitui a trajetória explosiva de Raul, que encontra no escritor Paulo Coelho um parceiro de drogas, satanismo e sucessos como Há dez mil anos atrás e Sociedade alternativa – esta última, valendo aos dois problemas com a ditadura militar da época, que enxergou nela uma mensagem política e, por isso, os prendeu, torturou e mandou ao exílio nos EUA.

Pouco depois, o sucesso de seu disco Gita – que vendeu 600.000 cópias – traz Raul e Paulo Coelho de volta ao Brasil. Hoje um bem-sucedido autor internacional de romances de tempero místico, Coelho tem uma das mais saborosas participações no documentário, numa entrevista em que, em sua suntuosa casa, na Suíça, uma mosca faz uma surpreendente aparição, permitindo lembrar outra famosa música de Raul, A mosca na sopa.

Com segurança, Carvalho costura depoimentos do irmão, de quatro das cinco ex-companheiras do cantor (a primeira, Edith, só participa por meio de uma carta, lida pela filha dos dois, Simone), de suas três filhas e de um neto, além de outros parceiros, como Cláudio Roberto, fãs e admiradores como Caetano Veloso, Tomzé e Marcelo Nova.

Assim, constrói um panorama de uma vida curta, intensa e tumultuada, pontuada por alcoolismo, drogas, conflitos, mas não perde de vista a energia criativa do cantor e compositor, autor de hinos da contracultura, como Metamorfose ambulante.

Um grande tesouro do filme está no material de arquivo, proveniente de particulares, parentes, amigos, emissoras de tevê, contando inclusive com algumas imagens inéditas – o que consumiu cerca de 25% do orçamento total do filme (R$ 2,4 milhões), para pagamento de direitos.

Valeu a pena. Nada mais eloquente sobre Raul do que ele mesmo. E trechos de filmes, como Balada Sangrenta (1958), de Michael Curtiz, que mostra o jovem Elvis Presley no auge, e Sem Destino (1969), de Dennis Hopper, fecham a moldura da época que o cantor viveu tão intensamente. (Por Neusa Barbosa - Cineweb)

Assista ao trailer:


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Descontínuo - crítica de Rafael Carvalho (Moviola Digital)