A guerra no Iraque, os ataques do PCC e a ideologia da Veja são exemplos de coisas que sempre julgamos, mas nunca sabemos mesmo se está certo ou errado. Acredito que há erros e acertos nesses casos citados, afinal estamos “de fora” (no sentido de proximidade – somos brasileiros, portanto longe do Iraque e dos EUA; moramos no interior da Bahia, longe dos ataques acontecidos em SP, e nunca estivemos presos, ou seja, longe de conhecer o sistema carcerário brasileiro; e, ainda não somos jornalistas, e muito menos incluídos no mercado para apontarmos qual revista ou jornal está agindo corretamente ou não, ou ao menos, se existe isso). Estamos de fora mesmo!
Mas, hoje em dia é assim: sentimos a obrigação de estar criticando a tudo e a todos, comentando fatos ou acontecimentos e passando a diante as informações consumidas, que muitas vezes não digerimos para engolir. Em tudo queremos encontrar o certo ou o errado, mas pra mim isso já não existe, acho que há o que é “meu certo” e o que é meu erro. O que pra mim é certo pode também ser o errado, mas errado pra outra pessoa (certo pra mim, errado pra você, ora!), então esse é meu erro, não conseguir ver! Por exemplo, em uma calorosa discussão, por mais que eu saiba que não pertence a mim a verdade, não consigo enxergar que os outros também são certos. É esse o meu único erro: eu estar errado!
Acabo sendo o que eu penso, quando estou errado é por que estou dançando conforme a música dos meus pensamentos e das minhas idéias, mas não vejo que estou errado, só sou assim para os outros. Para mim, estou sendo certo. E o mesmo acontece com quem criticamos, a Veja, os EUA e o PCC dançam conforme a música de suas idéias e não devemos puni-los por isso, afinal também agimos assim, só que nossa música é outra, há diferenças, às quais dizemos respeitar. Enquanto uns dançam funk, outros dançam balé, e não há nenhum problema nisso, mas pra quem dança funk, balé é ridículo, e para quem dança balé, o funk é muito pior. Afinal, a que ponto pretendo chegar? A uma conclusão. Espero te convencer que há meias verdades e nenhuma mentira, meias coisas certas e que não há erro, só há discos diferentes rodando em cada vitrola.
Da mesma forma é definir o que é política, o que é o amor e o que é Deus. São outras coisas (lógico!) as quais nunca sabemos ao certo o que são, pois não conseguimos encontrar um único conceito que nos satisfaça e, quando encontramos, não nos contentamos, ou não acreditamos que seja somente aquilo. Mas, no fundo, há para cada um o seu entendimento do que é política, do que é o amor e do que é Deus. E só cada um conhece os seus conceitos, mesmo sem entendê-los.
E se tudo o que penso é o que vejo e o que faço, as minhas idéias são minhas formas de ver o mundo, só que o vejo pela metade, porque há dois lados: eu e você, como as tuas verdades pertencem somente a ti, só enxergo metade da verdade, a que pertence a mim, lógico. Então, acredito nisso: há meias verdades, meias idéias, meias coisas certas, e o todo jamais será conhecido, por mais que tentamos nos impor.
Estas coisas por mais que pareçam sem lógica, são todas as nossas coisas, as nossas contradições. Veja um exemplo, a chamada elite intelectual, contra à quase tudo, é assim chamada porque busca entender a tudo e a todos, e por isso, sente se digna de criticar a tudo e a todos, mas para que elas fazem isso? Só pode ser para garantir poder, se não todo o poder, e não há outra explicação (a não ser a sua), apesar de muitos deles ter posicionamento contrário à centralização do poder. Pronto, entendeu? Contradição pura, não?
E eu, também, na minha humilde posição de possuir apenas meias verdades e meias idéias, sou uma pessoa contraditória. Prova disso é que às vezes, quando as outras estão sujas, calço as minhas meias que têm uma bandeira dos EUA, mas juro, não passa de um simples par de meias, que apesar de um par, não conseguem ser um todo (até as meias são contraditórias!).
Para Andressa, Fernanda e Mirna.