22.1.09

O que falta acontecer?


Cândido Sales, cidade no interior da Bahia com cerca de 30 mil habitantes, a primeira do estado saindo de Minas Gerais pela BR-116 e apenas 46 anos de emancipação política. Localizada a 87 km de Vitória da Conquista, a cidade é palco dos mais diversos fatos políticos que testam a legislação eleitoral e, principalmente, a coerência de muitos magistrados brasileiros.

Para entender o que acontece nessa pacata cidade listei os principais e recentes acontecimentos da sua história política. Em Cândido Sales, assim como na maiorias das pequenas cidades brasileiras, grande parte da sua população depende dos empregos gerados pelo serviço público (leia-se: prefeitura).

- Em 1989, candidato pela segunda vez, o contador Jaimilton Acioly se elege prefeito da cidade pelo PMDB retirando o grupo de Joviano Oliveira do poder.

- Quatro anos depois, Amilton Fernandes é eleito prefeito, mantendo o PMDB à frente do executivo.

- Nas eleições seguintes, Jaimilton Acioly volta a se candidatar e derrota o candidato Eduardo Pontes (PFL), que tentava pela segunda vez ser eleito. Jaimilton é empossado prefeito em 1º de janeiro de 1997. Pontes move uma ação judicial contra o adversário, acusando-o de compra de votos durante o processo eleitoral.

- Julgado em todas as instâncias possíveis, o processo resulta, em novembro de 1999, na cassação de Acioly. Nem o vice, nem o presidente da Câmara, nem novas eleições. Quem assume o cargo é o segundo colocado nas eleições. Eduardo Pontes é prefeito da cidade por um pouco mais de um ano.

- No pleito eleitoral de 2000, concorrem o então prefeito Eduardo Pontes (PFL) e o ex Amilton Fernandes, tendo como vice o também ex Jaimilton Acioly (PMDB). Resultado: a legenda do PMDB retorna ao poder executivo em 2001.

- Com a proximidade das eleições para deputados, senadores e presidente, a dupla pemedebista se separa. Amilton se filia ao PR (partido ligado, em nível estadual, ao grupo do senador ACM).

- Nas eleições municipais de 2004, três candidatos: Eduardo Pontes (PFL), Jaimilton Acioly (PMDB) e Amilton Fernandes (PR). Com o racha, Eduardo é eleito prefeito.

- Para as últimas eleições, Amilton e Jaimilton refazem a aliança política, invertendo os papéis das eleições de 2000. O prefeito Eduardo Pontes (DEM) tenta a sua reeleição.

- Mesmo inscrito como candidato, Pontes não teve sua candidatura registrada por ter contas não aprovadas no Tribunal de Contas da União, mas a levou até o fim. Os 46,69% dos votos foram confiados a ele e considerados, pelo Tribunal Superior Eleitoral, como votos nulos. Jaimilton, segundo colocado com 43,58%, foi considerado eleito.

Agora, um novo processo movido por Eduardo Pontes está aberto. Uma liminar cancelou a diplomação do peemedebista, e, enquanto não sai uma decisão a respeito, a adminstração municipal está sob a responsabilidade do presidente da Câmara Municipal eleito no último dia 1º, Jaime Evangelista (PSC), ligado ao grupo de Pontes.

Como em Cândido Sales tudo é possível, há várias possibilidades para o desfecho: novas eleições, diplomação de Eduardo Pontes, diplomação de Jaimilton Acioly ou manutenção do presidente da Câmara como prefeito. Só não sei o que falta acontecer por lá.
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Cerveja, cerveja, cerveja!


Como estamos num boteco e faltava, até agora, cerveja... como bem lebrou o leitor Roberto Ney, sirvo logo estas 86 latinhas e, melhor ainda, para quem não teria condições de pagar por elas.

Pior é que cana...

Mendigo é encontrado tomando 86 cervejas

O refrescante flagrante aconteceu em Teresina, no Piauí.
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Vendo a história acontecer...



Primeiro presidente negro dos EUA e tudo mais aquilo que você ouviu... O fato é que estamos vendo a história acontecer. No entanto, o novo líder norte-americano terá pela frente não só os desafios que o Bush deixou, mas, principalmente, conseguir alcançar as expectativas do mundo inteiro sob a sua figura.

Agora, vejam que contradição: nunca os estadunidenses confiariam tal desafio a um negro, porém todas as esperanças estão nele, afinal (devem pensar, por lá): "se ele, mesmo sendo negro já chegou onde chegou, então vai conseguir salvar nosso país".

Talvez a mudança não seja tanta, não é mesmo... aliás, pensamentos e comportamentos racistas não acabam tão de repente.
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13.1.09

E a história se repete


Hoje estréia o 9º BBB: NÃO ASSISTAM!

Fica o meu conselho, baseado na matéria abaixo publicada na época do BBB-8 (já que não vai ter nada diferente...), afinal todos nós somos um pouco crianças:

Especialistas desaconselham Big Brother para crianças

Histórico de erotismo, pouco conteúdo e exibição de valores questionáveis são algumas das razões apontadas por três especialistas ouvidos pela Folha Online para que as crianças não vejam o “Big Brother Brasil 8″. O reality show tem estréia prevista para esta terça-feira (8), na Rede Globo, com classificação indicativa para maiores de 16 anos.

Para a professora Maria Silvia Pinto da Rocha, das faculdades de educação e psicologia da PUC-Campinas, em sua oitava edição o “BBB” não deve trazer nenhuma surpresa. “Os participantes são escolhidos para manter um certo padrão, de fórmulas já testadas nas outras edições”, disse Rocha.

Especialista em psicologia escolar, ela afirma que este tipo de programa expõe prematuramente as crianças a uma série de questões como a erotização. As discussões “superficiais” entre os participantes reforçam esse sentimento, afirmou Rocha.

A influência do reality show no público infantil também é motivo de preocupação para a professora de psicologia Claudia Stella, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo a doutora em educação, este modelo de atração “é complicado, principalmente, para a criança”, que ainda está adquirindo as noções do que é fantasia ou real.

O “Big Brother Brasil” vende a idéia de “show da realidade”, mas na verdade é “uma luta, sem princípios, por dinheiro”, afirma Carlos Ramiro de Castro, professor e presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). O vencedor da disputa recebe R$ 1 milhão.

Ele diz acreditar que o programa não tem nada de educativo e “prejudica a formação da criança”, porque a expõe a uma competição sem valores morais.

Os três entrevistados não aconselham que o público infantil assista ao “BBB 8″. Claudia Stella considera importante os pais respeitarem a classificação etária da atração. Para ela, o adolescente tem mais “condições” para perceber de que se trata de um programa, com “edição das imagens”.

O horário do “Big Brother” (exibido após a novela “Duas Caras”) já é a primeira restrição às crianças, disse a professora Maria Silvia. Ele “não é adequado para a criança, do ponto de vista da rotina e do cotidiano”. Além disso, afirma ser recomendado aos pais encontrarem outras opções de lazer para seus filhos.

Carlos Ramiro diz acreditar que escola, família e meios de comunicação devem dialogar para enriquecer a educação infantil, “o que não é o caso de um programa como o ‘BBB’”.

Procurado pela reportagem, o MEC (Ministério da Educação) disse não ter nenhum alerta sobre o “Big Brother Brasil”. O Ministério da Justiça vai monitorar o reality show por 30 dias para se certificar de que cumpre com as normas da classificação indicativa.

Fonte: Folha Online
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A busca pelo poder também muda as pessoas

As fotos comprovam que não só o poder que muda as pessoas. A busca por ele também.



Lula na campanha para eleição presidencial de 2002 e no início de tudo.

E Dilma, provável candidata à sucessão, há alguns meses...


...e a versão 2009.


Candidatura, certa ou não. Para o PT, imagem é tudo. Quem diria...
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Veja isso 02


Che Guevara foi capa da revista Veja em 1997. O repórter Dorrit Harazim acompanhou a busca por ossos do guerrilheiro, visitou os lugares onde Che foi capturado e onde morreu, e enviou a matéria da Bolívia. Título e sub-título: O TRIUNFO FINAL DE CHE - Com a busca de seus ossos, ressurgem as idéias e as aventuras do guerrilheiro mitológico.

Em outubro de 2007, o guerrilheiro voltou para a capa da revista, os repórteres Diogo Schelp e Duda Teixeira fizeram daqui mesmo, se debruçaram sobre um arquivo bem selecionado para escrever o que sustentasse a manchete "Che, a farsa so herói - verdades incovenientes sobre o mito do guerrilheiro altruísta, quarenta anos depois de sua morte".


Pior que isso foi o título e sub-título dados ao texto:

HÁ QUARENTA ANOS MORRIA O HOMEM E NASCIA A FARSA - "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".
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Preguiça, uma p#rr@!



Vendo, na TV, o comediante (?) Renato Piaba (baiano) fazendo piada sobre a bendita preguiça baiana me lembrei de email que recebi e então resolvi compartilhar como forma de manifestar minha intolerância com essa história de preguiça baiana.
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'Preguiça baiana' é faceta do racismo. A famosa 'malemolência' ou preguiça baiana, na verdade, não passa de racismo, segundo concluiu uma tese de doutorado defendida na PUC. A pesquisa que resultou nessa tese durou quatro anos.

A tese, defendida no início de setembro pela professora de antropologia Elisete Zanlorenzi, da PUC-Campinas, sustenta que o baiano é muitas vezes mais eficiente que o trabalhador das outras regiões do Brasil e contesta a visão de que o morador da Bahia vive em clima de 'festa eterna'.

Pelo contrário, é justamente no período de festas que o baiano mais trabalha. Como 51% da mão-de-obra da população atua no mercado informal, as festas são uma oportunidade de trabalho. 'Quem se diverte é o turista', diz a antropóloga.

O objetivo da tese foi descobrir como a imagem da preguiça baiana surgiu e se consolidou. Elisete concluiu, após quatro anos de pesquisas históricas, que a imagem da preguiça derivou do discurso discriminatórios contra os negros e mestiços, que são cerca de 79% da população da Bahia.

O estudo mostra que a elevada porcentagem de negros e mestiços não é uma coincidência. A atribuição da preguiça aos baianos tem um teor racista.
A imagem de povo preguiçoso se enraizou no próprio Estado, por meio da elite portuguesa, que considerava os escravos indolentes e preguiçosos, devido às suas expressões faciais de desgosto e a lentidão na execução do serviço (como trabalhar bem-humorado em regime de escravidão????).

Depois, se espalhou de forma acentuada no Sul e Sudeste a partir das migrações da década de 40. Todos os que chegavam do Nordeste viraram baianos. Chamá-los de preguiçosos foi a forma de defesa encontrada para denegrir a imagem dos trabalhadores nordestinos (muito mais paraibanos do que propriamente baianos), taxando-os como desqualificados, estabelecendo fronteiras simbólicas entre dois mundos como forma de 'proteção' dos seus empregos.

Elisete afirma que os próprios artistas da Bahia, como Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Gilberto Gil, têm responsabilidade na popularização da imagem. 'Eles desenvolveram esse discurso para marcar um diferencial nas cidades industrializadas e urbanas. A preguiça, aí, aparece como uma especiaria que a Bahia oferece para o Brasil', diz Elisete. Até Caetano se contradiz quando vende uma imagem e diz: 'A fama não corresponde à realidade. Eu trabalho muito e vejo pessoas trabalhando na Bahia como em qualquer lugar do mundo'.

Segundo a tese, a preguiça foi apropriada por outro segmento: a indústria do turismo, que incorporou a imagem para vender uma idéia de lazer permanente 'Só que Salvador é uma das principais capitais industriais do país, com um ritmo tão urbano quanto o das demais cidades.'

O maior pólo petroquímico do país está na Bahia, assim como o maior pólo industrial do norte e nordeste, crescendo de forma tão acelerada que, em cerca de 10 anos será o maior pólo industrial na América latina. Para tirar as conclusões acerca da origem do termo 'preguiça baiana', a antropóloga pesquisou em jornais de 1949 até 1985 e estudou o comportamento dos trabalhadores em empresas. O estudo comprovou que o calendário das festas não interfere no comparecimento ao trabalho. O feriado de carnaval na Bahia coincide com o do resto do país. Os recessos de final de ano também. A única diferença é no São João (dia 24 /06), que é feriado em todo o norte e nordeste (e não só na Bahia).

Em fevereiro (Carnaval) uma empresa, cuja sede encontra-se no Pólo Petroquímico da Bahia, teve mais faltas na filial de São Paulo que na matriz baiana (sendo que o n° de funcionários na matriz é 50% maior do que na filial citada).

Outro exemplo: a Xerox do Nordeste, que fica na Bahia, ganhou os dois prêmios de qualidade no trabalho dados pela Câmara Americana de Comércio (e foi a única do Brasil).

Pesquisas demonstram que é no Rio de Janeiro que existem mais dos chamados 'desocupados' (pessoas em faixa etária superior a 21 anos que transitam por shoppings, praias, ambientes de lazer e principalmente bares de bairros durante os dias da semana entre 9 e 18h), considerando levantamento feito em todos os estados brasileiros. A Bahia aparece em 13° lugar.

Acredita-se hoje (e ainda por mais uns 5 a 7 anos) que a Bahia é o melhor lugar para investimento industrial e turístico da América Latina, devido a fatores como incentivos fiscais, recursos naturais e campo para o mercado ainda não saturado. O investimento industrial e turístico tem atraído muitos recursos para o estado e inflando a economia, sobretudo de Salvador, o que tem feito inflar também o mercado financeiro (bancos,financeiras e empresas prestadoras de serviços como escritórios de advocacia, empresas de auditoria, administradoras e lojas do terceiro setor).

Ao contrário de preguiçosos, somos dinâmicos e criativos. A diferença consiste na alegria de viver, e por isso, sempre encontramos animação para sair, depois do expediente ou da aula, para nos divertir com os amigos.
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11.1.09

Turistas...

Vale a pena ouvir essa crítica, mesmo sendo uma produção amadora... combina com a "obra" analisada.



É muito trash esse filme! Não consegui assistir mais que 15 minutos. Nem vale criticar tanto, até mesmo as más críticas dão ibope, como deu na época do lançamento, o que me levou a tentar assistí-lo.
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Super importante!

Du Moscovis dança funk e curte momento bife à milanesa com a família na praia

Um super ensaio fotográfico, num momento super importante para a história da humanidade...
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9.1.09

Deixem o homem descansar


Lula deixou Fernando de Noronha e foi para a base naval de Aratu, na praia de Inema, em Salvador, em busca de sossego e privacidade, mas a imprensa parece que não entendeu, mesmo sabedo que o presidente também tem direito aos seus dias de folga e descanso.

Na foto, Lula, o governador Wagner, que visitava o presidente, e a primeira-dama Marisa.

Foto de Sebastião Bisneto, da Ag. A Tarde.
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Os piores e melhores do ano


São muitas as listas que surgem no final e início de ano para eleger melhores e piores. Resolvi fazer, então, minha própria lista, são os prêmios Chuchu de Ouro e Chuchu de Feira, um vale muito, já o outro, quase nada.

Obs.: Para os que não sabem, Chuchu é o meu carinhoso apelido que a faculdade me deixa para a vida toda, com certeza (Fernanda é a culpada, mas tudo bem, já me adaptei).

Conheça os primeiros ganhadores dos prêmios Chuchu, referente ao ano de 2008.

Chuchu de feira
POLÍTICA
Oposição de Vitória da Conquista, é complicado escolher o que melhor a represente

LITERATURA
J. K. Rowling, por ter lançado Os Contos de Beedle, confiando no sucesso do seu bruxinho Potter

IMPRENSA
Revista Veja (vai ser difícil ela perder nessa categoria)

TELEVISÃO
Record News: pelo sensacionalismo das suas transmissões, inclusive do Caso Eloá

CINEMA
Aquele, e mais um, do Didi: O Guerreiro Didi e a Ninja Lili

MÚSICA
Amy Winehouse: por seus escândalos e vícios

ESPORTE
Organizadores do salto com vara das Olimpíadas de Pequim: a vara de Fabiana Murer sumiu na hora da prova!

PERSONALIDADE
Ronaldo, volta para o Brasil, ainda gordo e no Corinthians

TECNOLOGIA
TV Digital que não decolou e não disse pra que veio (onde veio...)

HONRA AO MÉRITO
George W. Bush (vai sair do governo no ápice do seu sucesso - pra não dizer o contrário)

Chuchu de Ouro
POLÍTICA
PMDB, que consegiu fazer o maior número de prefeituras na última eleição

LITERATURA
Companhia das Letras, por ter lançado uma coleção com obras de Jorge Amado

IMPRENSA
CQC: jornalismo e humor na medida certa

TELEVISÃO
A menina Maisa

CINEMA
Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles: tão angustiante quanto o livro

MÚSICA
Amy Winehouse: só agora (com os escândalos e vícios na mídia) que conheci o seu talento musical

ESPORTE
São Paulo Futebol Clube, pela sexta vez campeão brasileiro

PERSONALIDADE
O dono das esperanças dos EUA, Barack Obama

TECNOLOGIA
Autorizada pesquisas com células-tronco no Brasil

HONRA AO MÉRITO
O jornalista iraquiano Muntader Al-Zaidi, por ter atirado os seus sapatos em Bush (só não ganaharia na categoria pontaria)
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Em dois mil inove...

Não sou muito apegado às datas ou, melhor, aos simbolismos das datas. Mas, é impossível, não ser movido pelo espírito de passagem e mudança que surge com o início de um novo calendário.

O DeBalcão surgiu da minha necessidade de escrever e de ter um espaço para isso, percebi - analisando o ano que terminou - que o espaço não basta, não consegui escrever o quanto gostaria.

Os blogs nasceram como diários virtuais, disponibilizados na rede para o mundo, hoje já são veículos de notícia e portais, alguns permanecem como a página de uma pessoa, seja ela conhecida ou não. A popularização da internet e a facilidade em se criar um blog fizeram com que estes "diários" se tornassem vebre e alguns já estão entre as páginas mais acessadas na internet.

O Balcão tem a linha livre que um blog permite, é sobretudo meu diário, meu modo de ver e interpretar o mundo, claro, tendo como base os critérios jornalísticos que apreendo com o tempo, considerando a ética e o respeito ao público. Por isso, às vezes, tenho que implorar por desculpas por ter deixado de atualizá-lo (mesmo que ninguém o leia). O DeBalcão, como já disse, nasceu como um compromisso meu comigo mesmo.

Aproveito para avisar que não sairei copiando o que vejo por aí só porque quero atualizar o blog, e de antemão, estou na reta final do meu curso de Jornalismo, entre leituras e redação da monografia, espero manter a dinâmica que o tempo (esse carrasco!) impõe ao mundo virtual da internet.
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Foi 2008, foi Luizão


Em homenagem ao "rei" Luizão, figura do cotidiano uesbiano e conquistense, falecido no último dia 31, disponibilizo abaixo matéria de Fernanda Castro e Zélia Sousa publicada no jornal-laboratório Oficina de Notícias (ed. 14), produzido por estudantes do curso de Comunicação Social da Uesb.

Um célebre desconhecido
Uma grande história de vida é guardada no silêncio de Luizão

Andando a passos lentos, ele percorre as salas de aula do campus da Uesb de Vitória da Conquista, com “cadeira cativa” na maioria delas. Sua barba e cabelos brancos lembram o Papai Noel, tornando-o uma figura excêntrica, que desperta espanto e curiosidade. Luiz Osório Santos Britto, ou simplesmente Luizão, 63, natural de Jequié-BA, é uma das figuras mais populares da Universidade, em torno do qual giram diversas “lendas”. No entanto, pouco se sabe sobre a vida desse ilustre personagem.

Nos corredores da Uesb contam-se muitas histórias sobre Luizão. Dizem que, por oposição de sua família, não conseguiu ser padre e tornou-se uma pessoa depressiva. Contam, ainda, que de tanto estudar para o vestibular teria ficado com distúrbios mentais. Há também quem afirme que Luizão era muito rico, e que, de olho nos seus bens, sua família aproveitou-se de uma de suas crises para interná-lo num manicômio, apropriando-se de sua fortuna. Essas histórias acerca de Luizão surgem como tentativa de trazer à tona os motivos que o levaram a ser uma figura ímpar no cotidiano da Uesb e de Vitória da Conquista.

Filho do casal falecido Davi da Costa Britto e Hildete Santos Britto, Luizão é o primeiro de uma família de três irmãos. Foi filho único até os 12 anos de idade e viveu em Jequié até os 17, onde levava uma vida normal, segundo seu primo Hélio Ribeiro, 70. “Na adolescência, Luiz era um rapaz sociável, dançava muito no Jequié Tênis Clube”, relembra.

Em 1960, o seu pai, comerciante de classe média, resolveu mudar-se com a família para Salvador, onde abriu um pensionato. Luizão passou a estudar no Colégio Central da Bahia e era um aluno aplicado e inteligente. Costumava vir a Conquista durante as férias escolares visitar os primos, e com eles, passeava e se divertia como qualquer adolescente.

Cursou até o segundo ano científico e obteve aprovação num concurso público do BANEB (Banco do Estado da Bahia) aos 19 anos, mas foi eliminado ao ser submetido a um psicoteste (uma das etapas do concurso). A partir de então se constatou que ele tinha problemas mentais. Segundo José Carlos, 50, irmão de Luiz, posteriormente a doença foi diagnosticada como esquizofrenia paranóide, cujos sintomas mais freqüentes são os delírios e as alucinações. Hélio Ribeiro lembra que a avó materna de Luiz também era doente mental.

Em meados de 1970, convidado por familiares proprietários dos Supermercados Jequié para gerenciar uma das filiais, o pai, Davi, veio morar com a família em Vitória da Conquista. Em suas visitas ao supermercado, era comum Luizão comer, de uma tacada só, mais de um quilo de queijo com duas goiabadas em lata, acompanhados de uma garrafa de suco integral. “De tanto comer, Luiz chegou a pesar cerca de 120 quilos”, diz o seu primo.

O trauma da obesidade o levou a fazer um regime severo por conta própria. “Ele emagreceu simplesmente porque parou de comer”, esclarece Hélio acerca de falsos rumores sobre um possível diabetes adquirido por Luizão.

Por se considerar uma pessoa normal, Luiz (como prefere ser chamado) se recusa a fazer tratamentos médicos e não faz uso de remédios. Sua memória é regressiva. “Ele só se lembra com facilidade de fatos passados. Recorda-se de datas de aniversários de parentes e fala inglês com muita fluência”, comenta Hélio.

Seus irmãos José Carlos e Terezinha vivem em Conquista, mas Luiz, aposentado, mora sozinho numa casa deixada pelos pais, na URBIS I, sob os cuidados de uma empregada.

Convívio social

Aulas na Uesb, sessões na Câmara de Vereadores, casamentos, batizados, formaturas, missas, reuniões comunitárias e de partidos políticos e até congressos de Medicina fazem parte da agenda diária de Luiz. A sua presença em todos esses eventos é, no mínimo, curiosa e chama a atenção. Hélio explica que “Luiz se sente muito só e, com isso, quer estar onde está a sociedade, onde estão os intelectuais. Ele tem necessidade de se valorizar”. Prova disso é a sua participação nas missas da Paróquia Nossa Senhora das Candeias, onde atua como o “maestro” do grupo de cânticos durante as celebrações.

Luiz gosta de se sentar numa das cadeiras do altar, ao lado do padre, ministros e coroinhas e é o primeiro a fazer a prece espontânea. “Ele nunca deixa de rezar pelas almas dos seus pais durante a oração dos fiéis”, diz Jane Lúcia, secretária da Paróquia, lembrando, ainda, que Luiz sempre está por dentro das datas e horários dos eventos paroquiais e que, durante a semana, aparece com freqüência na secretaria, e lá fica horas sentado e quase sempre mudo. “Às vezes pergunta se é bom morar só, se é bom ter irmãos, se irmãos brigam e se é bom ser filho único”, comenta Jane.

O professor José Duarte, da Uesb, recorda-se que Luiz já foi bastante falador. “Ele freqüenta a Universidade há mais de 20 anos. Percebo que hoje em dia está bem mais calado”, diz. Sua docilidade é confirmada por todas as pessoas que convivem com ele. Vivaldo Melo, 63, morador da URBIS I, é seu vizinho há 21 anos e afirma que Luiz nunca incomodou a vizinhança. “Às vezes, quando passa por mim, responde aos meus cumprimentos, mas é muito calado”, declara.

Comunidade no Orkut

Uma das provas da popularidade de Luiz é a comunidade do Orkut “Luizão é rei”, criada em 30 de novembro de 2004 pelo estudante de Ciência da Computação, da Uesb, Fábio Lélis. A comunidade conta com 990 membros - até o fechamento desta reportagem.

Fábio explica que a idéia da comunidade surgiu com o objetivo de “criar um lugar virtual, onde as pessoas pudessem discutir, com bom humor, o comportamento de Luizão”. A comunidade abre as portas para que Luiz possa ser conhecido por qualquer internauta, dando-lhe o merecido destaque de alguém que é “rei” e que certamente nunca perderá sua majestade.
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