30.7.06

Outra lista!

CORRUPÇÃO EM BRASÍLIA: DEPUTADOS E SENADORES INVESTIGADOS.

ISSO É ALGUMA NOVIDADE?

ATÉ AGORA FORAM DIVULGADOS 92 NOMES DE PARLAMENTARES ENVOLVIDOS NO ESCÂNDALO DAS AMBULÂNCIAS E, SEGUNDO AS INVESTIGAÇÕES DA CPI DOS SANGUESSUGAS, AINDA HÁ MAIS NOMES.


ACRE

Júnior Betão - PL

João Correia - PMDB

ALAGOAS

Benedito de Lira - PP

João Caldas - PL

Helenildo Ribeiro - PSDB

AMAPÁ

Benedito Dias - PP

Eduardo Seabra – PTB

Coronel Alves – PL

BAHIA

Mário Negromonte – PP

Reginaldo Germano – PP

Zelinda Novaes – PFL

Coriolano Sales – PFL

Jonival Lucas Júnior – PTB

Paulo Magalhães – PFL

Robério Nunes – PFL

CEARÁ

Almeida de Jesus – PL

DISTRITO FEDERAL

Jorge Pinheiro - PL

ESPÍRITO SANTO

Marcelino Fraga – PMDB

Feu Rosa – PP

Nilton Baiano – PP

Magno Malta – PL (SENADOR)

MARANHÃO

Ribamar Alves – PSB

César Bandeira – PFL

MATO GROSSO

Lino Rossi – PP

Pedro Henry – PP

Ricarte de Freitas – PTB

Wellington Fagundes – PL

Teté Bezerra – PMDB

Celcita Pinheiro – PFL

Serys Slhessarenko – PT (SENADORA)

MATO GROSSO DO SUL

João Grandão – PT

MINAS GERAIS

José Militão – PTB

Osmânio Pereira – PTB

Isaías Silvestre – PSB

Cabo Júlio – PMDB

Cleuber Carneiro – PTB

João Magalhães – PMDB

Saraiva Felipe – PMDB

PARÁ

Raimundo Santos – PL

Josué Bengston – PTB

PARAIBA

Enivaldo Ribeiro – PP

Iris Simões – PTB

Ney Suassuna – PMDB (SENADOR)

Benjamin Maranhão - PMDB

Carlos Dunga - PTB

Marcondes Gadelha - PSB

Wellington Roberto - PL

Ricardo Rique - PL

PERNAMBUCO

Marcos de Jesus - PFL

RIO DE JANEIRO

Fernando Gonçalves - PTB

Elaine Costa - PTB

Reinaldo Gripp - PL

Reinaldo Betão - PL

Almir Moura - PFL

Laura Carneiro - PFL

Itamar Serpa - PSDB
Paulo Feijó - PSDB

Paulo Baltazar - PSB
João Mendes de Jesus - PSB

Vieira Reis - PRB
Doutor Heleno - PSC

Almerinda de Carvalho - PMDB

Carlos Nader - PL

Josias Quintal – PSB

Benjamin Maranhão - PMDB

RIO GRANDE DO NORTE

Nélio Dias - PP

RIO GRANDE DO SUL

Edir de Oliveira - PTB

Érico Ribeiro - PP

Paulo Gouveia - PL

RONDONIA

Nilton Capixaba - PTB

Agnaldo Muniz - PP

RORAIMA

Alceste Almeida - PTB

José Divino - PRB

SANTA CATARINA

Adelor Vieira – PMDB

SÃO PAULO

Irapuan Teixeira PP
João Batista - PP
Vanderlei Assis PP
Marcos Abramo - PP
Neuton Lima - PTB
Edna Macedo - PTB
Jeferson Campos - PTB
Bispo Wanderval - PL
Amauri Gasques - PL
Fernando Estima - PPS

Gilberto Nascimento - PMDB
Ildeu Araújo - PP
Ricardo Estima - PPS

SERGIPE

Heleno Silva - PL

Cleonâncio Fonseca - PP

TOCANTINS

Maurício Rabelo - PL

Eduardo Gomes - PSDB

Pastor Amarildo - PSC

Como funcionava a máfia das ambulâncias

  • Parlamentares apresentam ementa ao Orçamento da União, direcionada à compra de ambulâncias, em troca de propina oferecida pelos donos da Planam.
  • Aprovada a ementa, os parlamentares e a Planam entravam em contato com pessoas do Ministério da Saúde para acelerar a liberação dos recursos.
  • Quando liberados os recursos, a Planam ou os próprios parlamentares entravam em contato com os prefeitos das cidades beneficiadas e fraudavam as licitações.
Com o dinheiro recebido, a Planam pagava a propina aos deputados e prefeitos envolvidos.

29.7.06

Duas traças...


Egoísta... É isso que eu sou! Minha crise comigo mesmo começou quando um dia à noite, em meu quarto, matei duas traças apertando-as com o meu dedo indicador contra a parede enquanto elas se acasalavam, para quem prefere, enquanto elas se amavam. Só fui pensar no que fiz minutos depois... Elas já haviam caído no chão, como um corpo abandonado sendo jogado de um barranco e em câmera lenta minha mente processou a cena onde os personagens estavam mortos de verdade e o criador daquilo tinha sido eu.

Mas por que eu matei as traças? Primeiro é preciso explicar o que são traças. Traças são uns insetos pequenininhos, com cerca de um ou dois centímetros, geralmente são de cor clara, um amarelo envelhecido quase bege, sei lá... Elas se alimentam de papel e de tecido, ou seja, destroem os nossos papéis e abrem buracos em nossas roupas. Em meu quarto, estavam no paraíso... O guarda-roupa a poucos metros delas e, mais próximo ainda, minha mesa com livros, apostilas, cadernos, folhas soltas, ou seja, com muito papal. Era o paraíso mesmo, e nada melhor que o paraíso para se fazer amor.

Então, acho que já entendeu o motivo que fez minha mente processar a ação de esmagar aquelas traças na parede como quem aperta um botão inocentemente e sem pensar nas conseqüências. Meu egoísmo falara mais alto... Matei as traças por não querer compartilhar com elas.

Idiotice minha... Eu não faço isso com as pessoas que me exploram de verdade, com os que me roubam, com os que perfuram, destroem e abrem buracos em mim. As traças fazem isso... Mas, tantos fazem o mesmo sem ser notados... E não nos causa nenhuma reação digna da represália... É assim, geralmente só agimos quando não havia necessidade, só abrimos os olhos depois que tudo se acaba. Acabei com a vida de duas traças que enquanto se amavam (isso me corta o coração), enquanto quem nos explora vive esbanjando prazer e amando ser um parasita.

28.7.06

A Lista!


Em outubro de 2005 surgiu uma lista durante as investigações da CPI dos Correios, denominada a Lista de Furnas. Na lista, 156 políticos são apontados como beneficiados, nas eleições de 2002, pelo caixa dois de Furnas. A operação se dava da seguinte maneira: por intermédio da empresa Furnas Centrais Elétricas se fazia o levantamento e se disponibilizava os recursos arrecadados em diversas empresas ligadas a Furnas, de colaboradoras, fornecedoras, prestadoras de serviços, bancos, fundos de pensão, construtoras, corretoras de valores a seguradoras. Finalmente, o repasse era feito aos coordenadores e responsáveis financeiros pelas campanhas dos candidatos. Uma transação normal dentro das práticas ilegais das campanhas políticas.

O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), apontou a lista como falsa, argumentou que ela havia sido criada por petistas para prejudicar a oposição nas investigações, caracterizando-a como denúncia leviana. Dois cartórios do Rio de Janeiro, onde Dimas Toledo, presidente e diretor de Furnas na época, registrava seus documentos, atribuíram autenticidade à lista, que Dimas nega ter assinado. O perito Ricardo Molina, ao analisar uma cópia do documento em questão, fez algumas ressalvas por não dispor das páginas originais, mas afirmou que a lista não apresenta indícios de manipulação fraudulenta.

O que impressiona é que nem mesmo a discussão sobre a veracidade da lista mereceu espaço na mídia. A rede Globo no auge da crise política do governo Lula saturou a paciência do telespectador com os longos e exaustivos depoimentos da CPI dos Correios, mas os nomes da lista de Furnas não foram divulgados. A revista Veja também se limitou ao deixar passar. Entender o porquê dessa atitude não é difícil: a lista traz nomes de políticos da oposição ao governo, a maioria é do PFL e do PSDB, que são apoiados por esses meios, diretamente ou não. Para alguns o motivo não foi esse, justificam o fato na seguinte questão: a imprensa não deve levantar suspeitas e indícios; deve divulgar somente aquilo que investigações tenham comprovado como verdadeiras. Eu concordo com tal premissa, mas a Veja, por exemplo, não se preocupa com as comprovações, recentemente divulgou uma lista de supostas contas no exterior, uma delas no nome do presidente Lula. Então, nos resta a primeira alternativa.

A Lista de Furnas circula na internet e, esse mês, foi publicada na revista Caros Amigos, mas ainda não alcançou a repercussão merecida para assim chegar ao fim da discussão sobre a veracidade da lista. Por enquanto, o assunto se deu por encerrado e a lista parece inexistir, mas verdadeira ou não, queiram ou não, ela existe.

Desrespeitada pela grande mídia, a maioria da população não conhece os nomes que compõem a lista, entre eles estão: José Serra, Geraldo Alckmin, Roberto Jefferson, Marcelo Crivela, Bispo Rodrigues, Aécio Neves, José Aníbal, Severino Cavalcante, entre outros. Os políticos baianos que aparecem na lista são os seguintes: Jutahy Junior, Paulo Magalhães, Fábio Souto, ACM Neto, Luiz Carreira, Jairo Carneiro, João Almeida, Gerson Gabrielli, João Leão, Robério Nunes, José Carlos Aleluia, José Rocha, Aroldo Cedraz e Coriolando Sales.

Nas duas últimas páginas do documento há uma outra lista com os principais colaboradores, empresas como Petrobrás, Odebrecht, Eletronorte, DNA Propaganda, Banco Rural, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco Oportunity, Firjan, Eletrobrás, Light, Banco BGM, SMP&B, Cenibra Celulose, Coelba, entre outras. Dá pra se ter uma idéia dos motivos que levaram as empresas a participar do esquema, e são sempre eles que sustentam as doações das campanhas, sejam elas legais ou não.

Caixa dois e nenhuma investigação: alguma novidade?

27.7.06

Ela não é mais a mesma



Minha cidade mudou muito...

Na casa da minha vó o velho bule onde se fazia café não existe mais, a água sempre está fervendo por voltas das cinco, mas não naquele bule... Senti a falta dele.

As janelas que dão para a rua daquelas casas estreitas estão atrás de grades e ferrolhos, ninguém mais deixa a janela aberta para o vento entrar, ninguém fica mais na janela vendo o tempo passar.

A lavadeira, são poucas as que existem, ainda desce com a trouxa na cabeça pra entregar a roupa limpa aos donos, não lavam mais as roupas na beira do rio como antigamente, quem sabe nem o tanque existe mais...

Um senhor passa vendendo tangerina pela rua, oferecendo de porta em porta com um carrinho de mão, quase ninguém compra...

Um velho jumento sobe puxando a carroça vazia, desanimados, ele e o senhor que o guia, “nenhum frete”.

O dia de feira... Antes todas as mulheres e senhoras saiam cedinho para comprar as melhores frutas, verduras e hortaliças... Hoje não, dia de feira agora é todo dia, qualquer hora, no mercado encontram de tudo já.

Não vi nenhum menino gritando “olha eu, o picolé...”, será que era devido ao frio? Não acredito muito.

Desconhecidos passam por mim, talvez até os conhecesse, mas mudaram... São outras pessoas hoje, crescidas, amadurecidas ou não.

As pessoas mudaram de suas casas, deixaram a cidade ou a rua, em busca de novos horizontes ou vizinhos.

À noite, o som das motos e dos carros tomam o silêncio que antes começava cedo, ainda ao entardecer.

Domingo a missa começa no mesmo horário, o mesmo carrinho de pipoca está à frente da catedral, que conserva a mesma torre, pouco conservada, aliás. Mas as crianças que corriam pela praça já não estão. Perto do carrinho de pipoca só o pipoqueiro e dentro da igreja poucas pessoas ouvem o sermão do padre, que não é o mesmo (não conheço o novo padre).

O dia passa com a mesma melancolia. Mas nesse dia era diferente, olhos vermelhos e lágrimas no rosto, a cidade estava tomada pela sensação de tristeza: uma pessoa mudou de endereço, deixou sua casa, sua rua, sua cidade, sua vida, e mudou a vida das pessoas próximas, dos seus filhos, do seu marido, dos seus irmãos, dos vizinhos, de todos que sentiram sua perda.

A minha pequenina grande cidade, hoje desbotada no meu velho retrato, me faz rir, me faz chorar ou não me faz diferença nenhuma, mas me faz feliz sempre, até quando a melancolia resolve parar em mim, a dor da perda que não me agrada, só me cria saudades, e muitas, pois muita coisa da minha cidade se perdeu com o passar dos anos. Algumas coisas permanecem, outras já se foram e muitas não consigo esquecer porque estão dentro de mim e são ainda da minha cidade.

Minha rua, minha cidade, que já não é mais minha cidade, jamais será a mesma onde cresci. Mudou muito, muito mesmo.

26.7.06

Diálogo (não respondido) com o inquestionável (ou Buscando respostas)


- Por que falhou comigo?

- (como quem não ouve)

- Será que não estou sendo o que deveria?

- (ainda nada)

- Tenho mesmo que passar por tudo isso?

- (nada)

- Como pode ser você o culpado por tudo isso? É você mesmo?

- (quieto e imóvel)

- É minha sina... Ou foi meu azar? Mas, eu não precisaria de sorte se tenho você...

- (respostas nenhuma)

- Tenho mesmo que continuar acreditando em você? Todos lhe culpam e lhe pedem, mas...

- (talvez o silêncio seja a resposta, e permanece em silêncio)

- Já está difícil sustentar minha fé em ti. Tudo parece tão normal e perfeitamente lógico que o resto parece fantasia, imaginação humana... O homem erra em querer entender os sentimentos e não saber explicar, aí inventa... Deve ser isso!

- (da mesma forma como começou...)

- Cansei de ter que chamar por ti, de ter que acreditar que tudo depende de você, e você nem aí... Como se eu estivesse bem... Como se todos estivessem bem...

- (e nada...)

- Acho que posso querer respostas tuas, mas estou apenas me questionando, afinal. (a voz agora se cala, os olhos buscam ao redor alguém, algo novo ou diferente, mas... Nada! Tudo permanece igual e quem antes ouvia, parecia não estar mais ali, mas o choro é agora o som do dono da voz inconformada).

24.7.06

Uma TV, uma companhia


Se a gente quiser a gente aprende mesmo ficando parado na esquina, ou apenas atravessando a rua. Mas, é querendo conhecer o outro lado da ponte que se aprende. Conhecer o novo pra mim é sempre uma lição, mas não apenas ouvir falar, conhecer é sentir o que se fala, pois o que dizem por aí não nos garante o que realmente conhecemos sobre algo. Já escrevi sobre isso aqui: o lance é sentir pra poder dizer.

Nunca tinha ido a um asilo, dia desses fui convidado a visitar um, aceitei e fui.

É um lugar para nós, jovens e saudáveis, pararmos para pesar sobre o sentido da vida, sobre o valor da família, sobre a fragilidade dos nossos sentimentos, sobre a amizade, sobre o amor, sobre a caridade, a espiritualidade, o aprendizado, a vida e a morte. É um lugar de ensinamentos, você nem precisa conversar com alguém ou esperar que te digam algo, é imediato, os pensamentos vem e ficam na sua cabeça, as idéias não passam apenas, elas marcam, rondam nossas cabeças e bagunçam os nossos bonitinhos e organizados pensamentos.

Fui falar com um senhor que estava em um dos quartos sentado em uma cadeira de rodas à frente da televisão, que passava algum jogo da copa. Comecei a conversar com ele, mas ele não me ouvia muito bem. Falamos sobre a copa, sobre o Brasil, sobre a cidade que ele morava, e por fim ele me soltou uma pergunta que mexeu demais comigo, apontando para a televisão ele quis saber se onde eu morava tinha televisão... Para muitos, isso pode ser apenas um devaneio de pessoas da idade dele, para mim não, já que ele se demonstrava lúcido.

Vi naquele gesto do senhor um gesto de carinho e preocupação comigo, tenho que dizer o porquê. Esse senhor, quando sua esposa faleceu, já estava bem doente e passou a morar sozinho e em sua casa, que não tinha televisão. Quando veio para o asilo que o senhor descobriu aquela caixa de som e imagem, e em um asilo uma pessoa na situação como ele só tem como companhia os enfermeiros, médicos e as pessoas que trabalham lá... Nem mesmo os outros habitantes do asilo encontram-se em situações para ser companhia um do outro ali. Restou para aquele senhor a televisão, sua companheira, o que não o deixava sentir sozinho, situação conhecida e vivida por ele. E o pouco tempo que estive ali, ele se preocupa comigo. Queria saber se eu tinha uma companhia, se eu era uma pessoa sozinha, ou se eu tinha uma televisão...

Aquilo me tocou muito, e de imediato sentir a fragilidade daquelas pessoas e o quanto faz bem a elas a visita de pessoas novas, que por algum momento assume o papel que a televisão tem para aquele senhor.

O senhor da minha rua


Toda tarde, por volta das três ou quatro horas, a algumas casas abaixo da minha, um senhor, já bem transformado pela idade, coloca uma cadeira à sua porta e se senta. Toda e qualquer pessoa que passar por ali, pode ser do outro lado da rua, quantas vezes for, ele cumprimenta, levanta sua mão frágil em direção à pessoa.

Podem me perguntar que sentido tem isso, para ele há sim um sentido. Para mim, que respondo, quando passo, ao seu cumprimento, o sentido é bem menor. Talvez por educação ou por respeitar o sentido que tem para ele se eu responder ao seu cumprimento, ou talvez por me sentir como ele quando o vejo cumprimentar-me.

É estranho, mas é preciso. Não só com esse senhor que me preocupa em “falar” quando o vejo, mas todos quem conheço. Pra mim é muito mais que querer ser educado ou dizer “te conheço”, é sentir e passar quanto é bom ver aquela pessoa, sorrir para ela, talvez até parar e trocarmos algumas palavras, quando não resolvemos trocar de caminho para acompanhar e desfrutar da companhia.

É bom ver e sentir o quanto as pessoas se preocupam com a gente, e isso só acontece nos momentos de menor importância, sem nenhuma planejamento, quando menos esperamos... Aí rimos, nos preenchemos e nos convencemos do quanto é bom acordar todo dia e deixar o sorriso se espalhar como remédio para as pessoas que realmente gostamos.

16.7.06

E a culpa é de quem?


Fingimos que está tudo bem mesmo! Hoje tenho certeza disso. Meu ultimo texto aqui diz pra você se permitir, mas existe algo que lhe faz conhecer mais ainda a realidade que você vive: vivê-la de verdade! Não adinta se indignar por ouvir falar, por ver acontecer ou, somente, por ler e concordar... Só quando a gente sente a realidade, a vida em si que descobrimos a indignação e o descontentamento.

Dizem por aí que o poder está nas mãos de uns e outros, mas não, se o poder é exercer controle... Quem controla hoje é a bandidagem e a Globo, só! Afinal a Globo consegue te dominar, vai dizer que não? Quando o presidente vai fazer alguma declaração... é na hora do JN, quando você quer marcar uma coisa... "depois da novela das oito eu passo aí". O jogo é marcado (e isso nas capitais, um absurdo... transito, violencia...) pra tardão só no Brasil, pra poder entrar no horário nobre da Globo... Covencido?

E sair de casa... se for a noite, volta antes das 10. Não leva documento, só xerox. Não sai com mais de 20 reais, cartão e cheque nem pensar, celular... só quando for necessidade... passar por ruas esquisitas... ao lado de um grupo de homens... e porque?

A bandidagem! Que tá no comando! E já tem é tempo!

E ninguém tá nem ai... Pq? Pq tudo tah muito bem, deixam tudo passar... cada um na sua vidinha boba e idiota, aquela dos individualistas que não percebem nada ao seu lado, e o pior, não conseguem perceber que o mundo ao lado deles é o mesmo mundo em que vivem.

Ninguém se importa em quem está no comando, ninguém percebe, na verdade.
As ruas agora tem dono. Eu tenho consciencia disso, o Brasil sabe disso: São Paulo e o Rio vivem em clima de terror, as pessoas são intimidadas, ficam detidas em suas casa, só enfrentam as ruas quem não aceita essas condições ou quem precisa sair mesmo e não tem outra alternativa.

Eu me recuso! Não me intimido, não vou me deter. Não vou mesmo. Se existe uma coisa errada nisso tudo, é que tem gente no lugar errado, os bandidos mandam na rua, nos detêm, enquanto que eles, que deveriam está detidos, pelo menos dentro da prórpia consciencia deles, nos prendem em nossas casas e são os donos da rua, e nós? Deixamos tudo passar, como se estivesse tudo muito bem...

É preciso sentir a realidade que você diz conhcer pra poder se indignar de verade!

9.7.06

O outro caminho...


Talvez a loucura da vida não nos permite parar pra pensar porque estamos sendo apenas mais um, apenas mais uma peça do quebra-cabeça que é o mundo. As escolhas dos nossos caminhos que determinam a nossa caminhada, que nos fazem ser o que somos.
Deveríamos nos permitir mais, deixarmos conhecer todas as verdades possíveis, todos os lugares, todas as pessoas, suas lutas e suas vitórias. Deveríamos percorrer outras estradas por alguns momentos, quem sabe assim não reconhecemos que estamos no caminho errado, seguindo os outros apenas.
Poder encontrar as saídas desse nosso mundinho pode até acontecer quando começamos a abrir os olhos para os mundos que existem perto da gente, mas que estão escondidos por nós mesmos e distantes do nosso mundo.
A nossa insensatez nos cega, nos desfaz, nos destrói.
Recomendo, para entender e fazer o seu mundo: permita-se, permita-se a se livrar das regras que te prendem ao nada e dos conceitos pre-concebidos sem motivos, comece tentando entender as realidades distantes de você, os mundos desconhecidos, mas que são repletos de sentido, diferentemente do seu.

Para os militantes do MST, que conheci no assentamento Pátri Livre, onde as histórias de vida são exemplos para quem busca, e se permite, construir seu mundo.

1.7.06

Tudo muito bem?


De dentro do meu carro em plena avenida Paulista tento chegar um pouco menos atrasado, a velocidade no limite que o trânsito permite, há quase 500 metros do meu escritório, um sinal... que resolve fechar bem quando eu estaria atravessando.

As pessoas começam a atravessar, minha paciência já havia esgotado, bato os dedos no volante sem parar... "já devia estar na reunião com o chefe... hoje vai ter bronca". Ao meu lado outros carros... começo a observá-los, à minha esquerda um moto com aquelas caixinhas de pet shop, um cachorro olha pra mim pela grade como quem diz: "você está atrasado, palhaço", do outro lado, duas crianças brincam no fundo do carro enquanto o pai, "acho que é o pai", está ao celular... Ele não se incomoda nenhum pouco com os filhos, o barulho me atrapalharia a falar ao telefone... "ainda bem que não tenho filhos..."

Volto a olhar pra frente, o vermelho do sinal me incomoda ainda mais... as pessoas, como formigas, passam pela faixa... parecia que tinha uns dez minutos que estava parado ali, mas não, agora completava 8 segundos. Todos despreocupados, apresados, correm entre desconhecidos buscando uma saída na multidão que enfrenta aquele caos todos os dias.

O dia só estava começando, as minhas primeiras horas não me agradavam naquela sexta-feira. Enfim "verde", ainda observo algumas pessoas que passam pela calçada... são muitas. Brancos, negros e mestiços se misturam. Executivos, domésticas, garis e mendingos estavam todos na mesma situação, na correria do dia-a-dia, que faz tudo parecer estar muito bem... obrigado. Uma buzina me força a voltar à realidade, deixo o carro morrer... rapidamente, consigo arrancar com ele.

"O que se passa na vida daquelas pessoas?", é o que vem à minha cabeça agora... Todos estamos sempre preocupados em cumprir seus deveres, em chegar ao trabalho, em ir pra casa, em estar no barzinho no fim da tarde com os amigos, mas cada um segue sua vida e tem seus problemas. Consegui estacionar o carro quase cinco minutos depois de ficar esperando uma vaga, o tempo está cada vez mais rápido... "para quem estar atrasado, cinco minutos é muito tempo!".

Passo pelo porteiro que me dá bom dia, não respondo, entro no elevador, aperto o cinco, saio às presas, passo pela secretária e invado a sala de reuniões:
- O senhor pode me demitir em menos de cinco minutos? - vejo a cara de susto do meu chefe - Não? - espero uma resposta, mas ele continua imóvel - Tudo bem, a partir de amnhã não venho mais ao trabalho.

Saio às presas, desço o elevador, passo pelo porteiro, às presas tiro o carro do estacionamento e volto à avenida Paulista. Um sinal me obriga a parar novamente, outras pessoas me chamam a atenção... A faixa de pedestre se tornara uma barreira viva e caótica, aquelas pessoas me fazem lembrar do que fiz na noite passada, "se eu não tivesse matado a minha namorada poderia continuar fazendo de conta que está tudo muito bem, como fazem essas pessoas que trafegam sem querer..." O sinal ainda está vermelho, pego o revólver no porta-luvas e disparo contra minha nuca. Agora sim, acabei de vez com minha vidinha sem graça.

Ainda bem, ela está comigo



Como é bom olhar pro lado e saber que ela está ali. Não consigo imaginar minha vida sem ela ao meu lado, não tem um momento que eu possa dizer: "e ela não estava comigo". Às vezes acho chato, que incomoda e coisa e tal, mas não... é tão bom. É tão bom sentir sua mão, ouvir sua voz, ver o seu sorriso, estar com ela. E a falta que me faz quando estou longe... dá uma vontade de chorar...

Ainda tem gente que duvida da existência de Deus, pra mim é tão evidente, e todo o resto é questionável. Se ela não existisse... mas existe por que Deus sabe o que faz.

O tempo só me mostra como é fascinante estar vivo e me deliciar com a vida, como os traços se interceptam, como as linhas se cruzam e como as vidas se unem... a harmonia perfeita, o equilíbrio exato. Tinha que existir na minha vida uma pessoa como ela...

Nem sempre sou o que ela gostaria que eu fosse, mas ela está sempre ali, comigo! É admirável sua dedicação à vida, sua força e seu empenho. As vezes quando triste, basta olhar pra ela que minha triteza se vai... Tenho que me manter feliz, por ver nos olhos dela a alegria eterna em viver, em está com as pessoas que ela quer bem. Acho que aprendi a rir com ela...

Tudo pode ser um delírio meu, todas elas são assim, não? Acho que não. Não importa. Ela é. A minha mãe não é qualquer mãe.



Esse texto é pra mainha.

Acabou o Circo, agora é a palhaçada


Agora já são mais de 9 horas da noite aqui no Brasil e todos lamentam a derrota da seleção brasileira, que em momento nenhum se mostrou digna dos cinco títluos e de conquistar o sexto, a copa acabou para a seleção com uma certeza, poderia ter acabado antes. Mas não quero me fazer de entendido do assunto e dá uma de técnico aqui. Minha reflexão é sobre o comportamento do brasileiro, do cidadão, não do torcedor.

Alias, como cidadãos deveriamos ser torcedores também... Não entendeu? Como brasileiro deveríamos torcer para o Brasil em todos os sentidos em todos os momentos, não apenas de quatro em quatro anos... Ficou mais claro?

Então, hoje o circo acabou... a seleção volta pra casa e a torcida se desespera, as lágrimas molham os rostos e etc e tal. Mas quem chora quando vê mais um desempregado, mais um morador de rua, mais um político se deliciando com a pizza, mais um assassinado, outro roubado, outro morrendo de fome... QUEM??? QUEM???

Se existe quem chora, não conheço.

Torcemos, gritamos, nos descabelamos pela seleção brasileira, e pelo Brasil quem vestiu a camisa, ou melhor, quem veste? O país se vestiu com o verde e amarelo, mas, sinceramente, o fascínio e o orgulho pára por ai, só vai até a seleção brasileira mesmo, aquela que perdeu pra França e que tem o "quadrado mágico", aquela que ocupa os jornais e as páginas das revistas, é também a responsável pelo orgulho de ser brasileiro. Fala sério...

Agora que o circo acabou (quando o pão acaba ninguém chora...), as TVs e revistas, a mídia - melhor dizendo, vão se voltar para a PA-LHA-ÇA-DA... as eleições presidenciais... irão entrar em campo os engraçadinhos de sempre!

Fala sério!!! Brasileiro sofre, viu!

Minhas confessões: não chorei com a derrota e não tinha porque, mas, lógico ninguém merece perder pra França. Torci para Portugal, por Felipão, e vou continuar do lado dele (eu também me delicio com o cico!). Me revolto nos períodos eleitorais (por tudo, desde a mídia até os discursos dos candidatos), e por enquanto me voto é pra'quele que chora ao torcer pelo Brasil (o país), ou seja, pra Ninguém. E uma última confissão, se teve uma coisa que me deixou triste nessa copa foi a morte de Bussunda (fala sério... isso que é perder!) e somente isso merece as lágrimas de nós, brasileiros.